Tim Cook diz que alta de memória tornou reajuste de preços inevitável na Apple

Por Márcio Jandrey, Portal América.

A Apple confirmou que deverá aumentar os preços de parte de seus produtos após a forte alta nos custos de chips de memória e armazenamento, consequência direta da crescente demanda da indústria de inteligência artificial. Em entrevista ao Wall Street Journal, o CEO Tim Cook afirmou que a empresa tem absorvido os reajustes sempre que possível, mas reconheceu que a situação se tornou insustentável diante do aumento expressivo dos preços praticados pelos fabricantes de componentes. Embora não tenha revelado quais produtos serão afetados nem quando os reajustes entrarão em vigor, Cook classificou o cenário atual como algo sem precedentes em mais de quatro décadas de experiência no setor de tecnologia.

Segundo o executivo, a principal pressão vem do mercado de memória DRAM, cuja produção tem sido direcionada cada vez mais para aplicações de inteligência artificial, especialmente servidores que utilizam memória de alta largura de banda (HBM). A redução da oferta para dispositivos de consumo elevou significativamente os custos para fabricantes como a Apple, que tradicionalmente negociava valores mais baixos graças ao seu enorme volume de compras. Cook destacou que a companhia gasta dezenas de bilhões de dólares por ano em memória e armazenamento, mas que nem mesmo seu poder de negociação foi suficiente para evitar os impactos causados pela corrida global por infraestrutura de IA.

Estimativas da TechInsights indicam que o custo de produção do futuro iPhone 18 Pro poderá subir cerca de 25%, impulsionado principalmente pelos aumentos em memória, armazenamento e novos componentes de câmera. Apenas o custo da memória DRAM pode saltar de aproximadamente US$ 39 para US$ 145 por aparelho, enquanto o armazenamento de 256 GB pode passar de US$ 13 para US$ 51. Com isso, analistas calculam que a Apple poderá elevar o preço inicial do iPhone 18 Pro para algo entre US$ 1.299 e US$ 1.399, dependendo da estratégia adotada para preservar suas margens de lucro. Apesar da crise, Cook descartou a possibilidade de a empresa fabricar seus próprios chips de memória, mas afirmou que a Apple está disposta a investir recursos para ampliar a capacidade global de produção desses componentes.

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