Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, alegando que o Brasil não combate de forma suficiente práticas relacionadas ao trabalho forçado em sua cadeia produtiva. A medida passa a valer nesta sexta-feira (24) e faz parte de uma ação mais ampla que atingiu cerca de 60 países após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). No caso brasileiro, a nova taxa será somada aos 25% que já haviam entrado em vigor no último dia 22, elevando a carga tarifária sobre parte das exportações destinadas ao mercado americano.
Segundo o governo dos Estados Unidos, a decisão tem como base a conclusão de que o Brasil importa produtos de países que não adotam padrões considerados adequados de proteção ao trabalho, o que permitiria a entrada de mercadorias produzidas a custos menores e criaria uma concorrência considerada desleal para empresas americanas. A investigação aponta que, entre 2021 e 2025, o Brasil teria importado itens associados a cadeias produtivas com risco de trabalho forçado, incluindo alumínio, algodão, eletrônicos, baterias de lítio e tabaco.
O Brasil integra um grupo de 54 países que passarão a enfrentar uma tarifa de 12,5% sob esse critério, enquanto outras nações, como Canadá, Equador, México, Indonésia, Paquistão e os países da União Europeia, receberam uma taxa de 10%. A nova cobrança amplia a política tarifária dos Estados Unidos e reforça a adoção de barreiras comerciais a países que, segundo os critérios estabelecidos, não atendem às exigências em áreas como comércio, produção e relações trabalhistas.