O presidente Lula voltou a criticar Donald Trump nesta segunda-feira (21), afirmando que o presidente dos Estados Unidos “age como imperador” na relação com outros países. A declaração foi dada durante entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN, em Nova York, onde Lula participa da Assembleia Geral das Nações Unidas. O presidente brasileiro afirmou discordar do que chamou de “lei do mais forte”, em referência à forma como avalia a atuação de Trump nas relações internacionais. Lula está previsto para discursar na abertura do debate de alto nível da Assembleia Geral nesta terça-feira (22).
Apesar das críticas, Lula afirmou que pretende priorizar as negociações para tentar reduzir as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Segundo o presidente, o Brasil não pretende iniciar uma guerra comercial e continuará buscando um acordo enquanto houver espaço para diálogo. Caso as negociações não avancem, Lula disse que o governo poderá recorrer à Lei de Reciprocidade Econômica e avaliar medidas contra produtos norte-americanos. Segundo a Reuters, o governo brasileiro não pretende aplicar medidas recíprocas enquanto as negociações com Washington estiverem em andamento.
Durante a entrevista, Lula também abordou as eleições brasileiras e a atuação dos Estados Unidos na Venezuela. O presidente afirmou que pediu a Trump que Washington não interfira no processo eleitoral brasileiro e defendeu que cabe aos eleitores do país decidir o resultado das eleições. Sobre a Venezuela, Lula criticou a atuação norte-americana no país e afirmou que a população venezuelana deveria escolher seu próximo governante por meio de eleições. As declarações ocorrem em meio a divergências entre os governos brasileiro e norte-americano em temas comerciais, eleitorais e de política externa.