Maior corretora de criptomoedas do mundo sofre ataque hacker e perde mais de US$ 6 bilhões

Por Márcio Jandrey, Portal América.

A Binance, considerada a maior corretora de criptomoedas do mundo, sofreu um ataque cibernético de grandes proporções na quinta-feira (29), com perdas estimadas em mais de US$ 6 bilhões, em um incidente que pode se tornar o maior roubo de ativos digitais já registrado. Segundo a empresa de inteligência blockchain TRM, aproximadamente US$ 6,36 bilhões foram transferidos de carteiras vinculadas à plataforma em dez redes blockchain diferentes, sendo que a maior parte das movimentações ocorreu em um intervalo de apenas 20 minutos. A Binance reconheceu o episódio como um incidente de segurança e informou que suspendeu temporariamente os saques enquanto investiga as circunstâncias da invasão. Os depósitos, segundo a companhia, não foram afetados, e a expectativa é de que os saques sejam retomados dentro de um ou dois dias. A corretora também garantiu que assumirá integralmente os prejuízos, evitando que os clientes arquem com as perdas provocadas pelo ataque. Changpeng Zhao, fundador da Binance e conhecido como CZ, afirmou nas redes sociais que o episódio apresentava características de uma invasão e declarou esperar que todos os recursos dos usuários fossem protegidos. A companhia informou ainda que começou a recuperar os ativos afetados nesta sexta-feira (30), após trabalhar com outras empresas do setor para bloquear movimentações relacionadas ao incidente.

As primeiras investigações apontam para a possibilidade de envolvimento de um grupo de hackers ligado à Coreia do Norte. A TRM atribuiu o ataque ao TraderTraitor, uma unidade especializada em crimes cibernéticos associada ao governo norte-coreano, afirmando possuir alto grau de confiança nessa avaliação. A empresa identificou características semelhantes às observadas em operações anteriores, incluindo o ataque à corretora Bybit, ocorrido em fevereiro de 2025, quando aproximadamente US$ 1,5 bilhão em criptomoedas foram roubados. Na ocasião, o FBI responsabilizou hackers norte-coreanos vinculados ao mesmo grupo. A Chainalysis, outra empresa especializada em análise de transações blockchain, também apontou o TraderTraitor como provável responsável pela invasão da Binance. Entretanto, a identidade dos autores ainda não foi oficialmente confirmada pela corretora, que afirmou estar colaborando com autoridades policiais para identificar os criminosos. Durante as ações de contenção, a Tether anunciou o congelamento de mais de US$ 1,5 bilhão em criptomoedas associadas ao possível ataque, enquanto a Circle informou ter bloqueado outros US$ 800 milhões. Segundo a Binance, o trabalho conjunto com parceiros do setor permitiu congelar aproximadamente US$ 3 bilhões em ativos afetados. Especialistas em segurança digital afirmam que a Coreia do Norte utiliza ataques contra plataformas de criptomoedas como uma possível fonte de obtenção de recursos financeiros, em meio às sanções internacionais impostas ao país.

A origem exata da falha de segurança continua sendo investigada, e as informações divulgadas até agora indicam diferentes possibilidades para a invasão. Inicialmente, a Binance afirmou que um computador portátil utilizado por um de seus engenheiros poderia ter sido comprometido, permitindo a realização de retiradas não autorizadas. Posteriormente, a companhia informou que a investigação identificou outros possíveis pontos de acesso utilizados pelos invasores, sem apresentar detalhes técnicos completos. Kok Tin Gan, cofundador e presidente-executivo da empresa de cibersegurança NyxLab, levantou a hipótese de que uma autorização digital com acesso prolongado a uma carteira conectada à internet tenha permitido a movimentação dos recursos sem controles adicionais suficientes. A Binance, entretanto, declarou não ter encontrado evidências de vazamento das chaves privadas de suas carteiras e prometeu divulgar informações mais detalhadas após a conclusão da análise. O episódio ocorre em um momento em que a empresa continua enfrentando os efeitos de problemas regulatórios anteriores. Em 2023, a corretora se declarou culpada de violações relacionadas às leis norte-americanas de combate à lavagem de dinheiro e concordou em pagar US$ 4,3 bilhões em penalidades. Seu fundador, Changpeng Zhao, deixou o comando da companhia, cumpriu quatro meses de prisão e recebeu um perdão presidencial de Donald Trump em 2025. A Binance também mantém relações comerciais com a World Liberty Financial, empresa de criptomoedas ligada à família Trump. Com milhões de usuários utilizando seus serviços para negociar e armazenar Bitcoin, Ether e outros ativos digitais, a dimensão do ataque aumenta a atenção sobre os mecanismos de proteção das corretoras e os riscos associados à concentração de grandes volumes de criptomoedas em plataformas centralizadas.

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