O dólar comercial abriu em forte queda no Brasil após a divulgação dos resultados do primeiro turno das eleições presidenciais. Pouco depois das 9h, a moeda americana recuava 4,6% e era negociada a R$ 4,97, depois de encerrar a sexta-feira na faixa de R$ 5,21. O movimento também atingiu o mercado de ações, com os contratos futuros do Ibovespa avançando 9,17%, para cerca de 211 mil pontos. Antes mesmo da abertura do mercado brasileiro, ativos ligados ao país já apresentavam forte valorização no exterior. No Japão, um fundo de ETF que acompanha ações brasileiras chegou a subir 14%, enquanto o iShares MSCI Brazil, negociado nos Estados Unidos, avançava mais de 12% no pré-mercado em Nova York.
A reação ocorreu depois que Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno da eleição presidencial à frente de Lula, resultado que surpreendeu parte dos investidores diante das pesquisas divulgadas antes da votação. O mercado também acompanhou o desempenho de candidatos de direita nas disputas pelos governos estaduais, Câmara dos Deputados e Senado. Investidores passaram a reavaliar as perspectivas para a política econômica e, principalmente, para as contas públicas do país antes do segundo turno. Uma pesquisa da XP com 116 investidores institucionais apontou expectativa mediana de queda de aproximadamente 4% do dólar e avanço de 6% do Ibovespa após o resultado eleitoral. A Capital Economics também projetou uma valorização entre 3% e 5% para ativos brasileiros, incluindo o real e o mercado de ações.
A política fiscal deve continuar entre os principais fatores observados pelo mercado durante o período até o segundo turno. Instituições financeiras avaliam diferentes cenários para os ativos brasileiros dependendo das medidas adotadas para controlar gastos e equilibrar as contas públicas. O JPMorgan estimou que, em um cenário de ajuste fiscal, o real poderia se valorizar 6%, enquanto os juros dos títulos públicos poderiam recuar para perto de 13% e as ações teriam espaço para avançar. Em um cenário de deterioração fiscal, a instituição calcula que a moeda brasileira poderia perder valor, os juros poderiam se aproximar de 15,5% e as ações sofreriam queda. Apesar da forte reação inicial, analistas também esperam volatilidade nas próximas semanas, enquanto investidores acompanham a campanha eleitoral e as propostas econômicas apresentadas antes da segunda votação.