Duane “Keffe D” Davis é condenado pelo assassinato de Tupac Shakur em 1996

Por Márcio Jandrey, Portal América.

Duane “Keffe D” Davis foi considerado culpado nesta segunda-feira (31) por organizar o assassinato do rapper Tupac Shakur, morto após ser baleado em Las Vegas em setembro de 1996. O veredicto representa a primeira condenação relacionada ao crime, que permaneceu durante quase três décadas sem que ninguém fosse responsabilizado judicialmente. Davis, de 63 anos, foi condenado por homicídio com uso de arma letal e pode receber pena de prisão perpétua. O júri chegou à decisão após cerca de três horas de deliberação, encerrando um julgamento que durou várias semanas e contou com depoimentos de 24 testemunhas da acusação e três apresentadas pela defesa.

A promotoria sustentou que Davis conseguiu a arma utilizada no ataque e participou da organização da ação contra Tupac e Marion “Suge” Knight, cofundador da gravadora Death Row Records. Segundo os promotores, o crime ocorreu como retaliação depois que Tupac, Knight e integrantes do grupo que os acompanhava agrediram Orlando “Baby Lane” Anderson, sobrinho de Davis, horas antes do tiroteio. Tupac estava em um carro parado em um semáforo na noite de 7 de setembro de 1996 quando um Cadillac branco se aproximou e diversos disparos foram feitos. O rapper morreu seis dias depois em consequência dos ferimentos, enquanto Knight também foi atingido, mas sobreviveu. A acusação não afirmou que Davis tenha efetuado os disparos, mas argumentou que ele forneceu a arma e participou do planejamento do ataque, o que permite responsabilizá-lo pelo homicídio de acordo com a legislação de Nevada.

As próprias declarações de Davis ao longo dos anos tiveram papel central no processo. Em entrevistas e em seu livro de memórias “Compton Street Legend”, publicado em 2019, ele afirmou que estava dentro do Cadillac e que entregou a arma para ocupantes do banco traseiro antes do ataque. A defesa questionou a falta de registros telefônicos, imagens de câmeras de segurança e outras provas materiais que confirmassem sua presença em Las Vegas naquela noite, além de argumentar que algumas declarações foram feitas para gerar repercussão e ganhos financeiros. Os promotores, por outro lado, afirmaram que os principais elementos relatados por Davis permaneceram consistentes e apresentaram os depoimentos como evidência de sua participação. Davis é o único sobrevivente entre os quatro homens que, segundo a acusação, estavam no Cadillac utilizado no assassinato.

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