Um grupo de 31 parlamentares democratas dos Estados Unidos enviou uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, manifestando preocupação com o que classificou como uma tentativa do governo de Donald Trump de interferir nas eleições brasileiras de outubro. No documento, divulgado nesta quinta-feira (24), os congressistas pedem que Washington se comprometa a reconhecer e aceitar o resultado das urnas e afirmam que medidas adotadas pela administração americana podem enfraquecer as instituições brasileiras e prejudicar a relação entre os dois países. O Departamento de Estado, por sua vez, já rejeitou acusações de interferência no processo eleitoral brasileiro, classificando anteriormente esse tipo de alegação como infundada.
Na carta, os parlamentares citam medidas econômicas e diplomáticas adotadas pelos Estados Unidos contra o Brasil desde 2025, incluindo tarifas sobre produtos brasileiros e sanções direcionadas a autoridades do país. O grupo também critica ações tomadas por Washington em meio ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e questiona a utilização de instrumentos como a Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras. Outro ponto mencionado é a política americana de combate ao crime organizado na América Latina, que aumentou as divergências com Brasília. O governo Lula tem defendido cooperação internacional contra organizações criminosas, mas rejeita intervenções externas e medidas que considere incompatíveis com a soberania brasileira.
A manifestação ocorre a poucos dias da eleição presidencial brasileira, marcada para 4 de outubro, em um ambiente de crescente tensão entre Brasília e Washington. Durante discurso na Assembleia Geral da ONU nesta semana, o presidente Lula afirmou que o sistema eleitoral brasileiro é seguro e voltou a rejeitar qualquer interferência estrangeira no processo. A atuação dos Estados Unidos também se tornou parte do debate eleitoral brasileiro, enquanto parlamentares americanos que assinaram a carta pressionam o governo Trump a respeitar o resultado das urnas independentemente de quem seja eleito.