A Meta enfrenta nos Estados Unidos um processo que pode resultar em uma penalidade de até US$ 1 trilhão e provocar mudanças profundas no funcionamento de redes sociais como Facebook e Instagram. O julgamento envolve acusações de que a empresa utiliza recursos de design considerados viciantes para manter usuários conectados por mais tempo, incluindo rolagem infinita, reprodução automática de vídeos, conteúdos que desaparecem, filtros de beleza e feeds dominados por algoritmos. Os estados envolvidos no processo querem que a Justiça determine a remoção de determinadas funcionalidades, especialmente aquelas que poderiam aumentar o uso excessivo entre crianças e adolescentes.
Durante a abertura do julgamento, a procuradora-geral adjunta da Califórnia, Megan O’Neill, acusou a Meta de priorizar os resultados financeiros em detrimento da segurança dos usuários e de esconder informações sobre a presença de menores de 13 anos em suas plataformas. Segundo a acusação, o modelo de negócios da empresa estaria baseado em manter os usuários conectados pelo maior tempo possível e utilizar seus dados para gerar receita publicitária. O caso ganhou ainda mais relevância porque Meta e YouTube já foram considerados negligentes em outro processo, realizado em Los Angeles em março, no qual uma jovem afirmou ter desenvolvido dependência das plataformas desde a infância e associado o uso dos aplicativos a problemas graves de saúde mental.
O resultado do julgamento pode ultrapassar os limites da própria Meta e estabelecer um precedente para toda a indústria de redes sociais. O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, afirmou que a empresa é apenas a primeira de uma série de companhias que podem enfrentar processos relacionados aos impactos das plataformas sobre crianças e adolescentes. YouTube e Snap também são alvo de ações judiciais, e especialistas avaliam que outras empresas poderiam adotar mudanças preventivas caso a Justiça determine novas restrições para a Meta. Entre as possíveis consequências estão maior controle sobre recursos de engajamento, redução do acesso de menores às plataformas e alterações na forma como redes sociais desenvolvem seus produtos e sistemas de recomendação.