Grandes companhias aéreas dos Estados Unidos planejam retirar de suas programações alguns dos voos mais baratos e menos rentáveis nos últimos meses de 2026, diante da alta dos custos com combustível. Executivos da United Airlines, American Airlines e Southwest Airlines afirmaram durante uma conferência com investidores que novos ajustes de capacidade podem ser necessários caso os preços permaneçam elevados. As empresas não informaram quais rotas serão afetadas, mas os cortes devem atingir principalmente voos com menor procura e rentabilidade, incluindo horários menos populares. As companhias já haviam reduzido parte de suas programações durante o verão e aumentado taxas de bagagem para compensar os custos maiores.
O impacto já aparece nos preços pagos pelos passageiros. As tarifas aéreas registradas em junho, julho e agosto ficaram cerca de 25% acima dos valores observados nos mesmos meses do ano anterior, segundo o Índice de Preços ao Consumidor dos Estados Unidos. Apesar da alta das passagens e das taxas adicionais, executivos afirmam que ainda não identificaram uma queda significativa na demanda. Ao mesmo tempo, passageiros que procuram opções mais econômicas enfrentam um mercado com menos alternativas após a Spirit Airlines encerrar suas operações em maio e outras empresas de baixo custo, como a Frontier, ampliarem a oferta de produtos e serviços voltados para segmentos premium. Nesse cenário, voos em horários como madrugada, início da manhã e determinados dias de menor movimento estão entre os mais vulneráveis a cortes.
A pressão sobre as companhias está diretamente relacionada ao aumento das despesas com combustível em meio ao conflito com o Irã. United, Delta, American e Southwest gastaram juntas quase 80% a mais com combustível entre abril e junho na comparação com o mesmo período do ano passado. O preço médio do combustível de aviação chegou a US$ 4,56 por galão nesta quinta-feira (17), o maior nível desde o início de maio, embora ainda abaixo do pico registrado em abril. O combustível, no entanto, não é o único fator que determina o valor das passagens: oferta de assentos e procura por viagens também influenciam diretamente os preços, e a combinação de demanda elevada com possíveis reduções no número de voos pode limitar ainda mais a disponibilidade das tarifas mais econômicas.