Harvard é condenada a pagar US$ 53 milhões por esquema envolvendo restos humanos

Por Márcio Jandrey, Portal América.

A Universidade Harvard concordou em pagar US$ 53 milhões para indenizar famílias afetadas pelo roubo e comercialização de restos humanos retirados de seu necrotério. O esquema envolveu Cedric Lodge, ex-gerente do necrotério da Faculdade de Medicina de Harvard, que retirava partes de corpos doados para pesquisas sem autorização e as enviava a compradores em outros estados. Entre os restos humanos comercializados estavam órgãos, cérebros, pele, mãos, rostos e cabeças dissecadas. Lodge foi demitido em 2023 e condenado a oito anos de prisão após se declarar culpado pelo tráfico dos restos humanos.

As investigações apontaram que Lodge e sua esposa, que também participou do esquema, retiraram os restos mortais sem o conhecimento ou consentimento da universidade, dos doadores ou de seus familiares. Segundo os investigadores, as vendas ocorriam desde 2018 e envolviam compradores de diferentes estados americanos. A esposa de Lodge recebeu uma condenação de um ano de prisão, enquanto outras seis pessoas que adquiriram os restos humanos também se declararam culpadas e foram condenadas pela participação no esquema.

Harvard informou que pretende solicitar autorização judicial para estabelecer fundos de conciliação de ação coletiva no valor total de US$ 53 milhões destinados às famílias afetadas. O acordo recebeu aprovação preliminar de um juiz de um tribunal estadual de Boston e ainda depende das etapas judiciais previstas para sua conclusão. Em comunicado assinado por George Daley, diretor da Faculdade de Medicina de Harvard, e Bernard Chang, diretor de educação médica, a universidade classificou as ações de Lodge como uma grave violação dos princípios da instituição e afirmou que o caso representou uma traição aos valores da comunidade médica.

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