O governo dos Estados Unidos anunciou a prorrogação por mais um ano da ordem executiva assinada em 30 de julho de 2025 que declarou emergência nacional em relação ao Brasil com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. Segundo a Casa Branca, a medida permanecerá em vigor devido ao que o governo americano classifica como ameaças à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos. Apesar da renovação, a decisão não restabelece a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, já que essa medida foi posteriormente derrubada pela Suprema Corte dos EUA.
Na avaliação do ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, a renovação da ordem executiva tem principalmente um efeito político, uma vez que a decisão da Suprema Corte retirou do presidente a autoridade para manter as tarifas impostas com base nesse mecanismo. Ainda assim, ele destaca que outras medidas previstas na ordem continuam válidas, como sanções financeiras contra autoridades brasileiras, além da possibilidade de embargo e congelamento de bens. As tarifas atualmente aplicadas aos produtos brasileiros decorrem de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
No comunicado divulgado nesta terça-feira (28), a Casa Branca voltou a acusar o governo brasileiro de adotar práticas que afetam interesses dos Estados Unidos, restringem a liberdade de expressão de cidadãos americanos, violam direitos humanos e promovem perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, seus familiares e apoiadores. O texto também faz críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), citando decisões relacionadas à moderação de conteúdos na internet e à prisão de pessoas por manifestações consideradas ilícitas.