A SpaceX realizou mais um lançamento na manhã desta terça-feira (20), na Flórida, e voltou a produzir no céu o fenômeno conhecido como “água-viva espacial”, uma formação luminosa criada pelos gases liberados por foguetes durante a subida. O Falcon 9 decolou às 7h04 da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, a partir da plataforma 40, transportando 32 cargas úteis na missão Bandwagon-5. O lançamento aconteceu aproximadamente 22 minutos antes do nascer do sol, permitindo que a luz solar iluminasse os gases do foguete nas camadas superiores da atmosfera, enquanto o céu ainda estava parcialmente escuro. O fenômeno também havia sido registrado em 13 de outubro, durante o lançamento de uma cápsula Dragon com aproximadamente 2,8 toneladas de equipamentos, suprimentos e experimentos científicos destinados à Estação Espacial Internacional. Na ocasião, a nuvem luminosa foi muito maior, apresentou cores mais intensas e pôde ser observada até em Washington, D.C.
Diferentemente do lançamento da semana anterior, a formação desta terça-feira foi menor e não apresentou os tons alaranjados e azulados normalmente associados ao fenômeno. Isso ocorreu porque o céu já estava mais claro no momento da decolagem, reduzindo o contraste entre os gases iluminados pelo Sol e o ambiente ao redor. Além do espetáculo visual, a missão Bandwagon-5 transportou equipamentos e satélites de diferentes empresas, incluindo dispositivos destinados a serviços de comunicação e navegação. Entre as cargas estava o Starfall, sistema desenvolvido pela própria SpaceX para transportar experimentos que precisam permanecer por períodos curtos em condições de microgravidade, retornando à atmosfera pouco depois do lançamento. A operação também marcou o 19º voo do primeiro estágio do foguete, que foi recuperado após realizar um pouso na plataforma marítima A Shortfall of Gravitas, posicionada no Oceano Atlântico. A reutilização desses propulsores faz parte da estratégia da empresa para reduzir custos e permitir que os mesmos equipamentos sejam utilizados em diferentes missões espaciais.
O lançamento representou a 60ª missão realizada na Costa Espacial da Flórida em 2026, considerando todas as empresas e agências que operam na região. Desse total, 53 lançamentos foram conduzidos pela SpaceX, que continua responsável pela maior parte das operações locais. Apesar dos números, o ritmo diminuiu em comparação com 2025, quando a região estabeleceu um recorde de 109 lançamentos, com uma média próxima de uma missão a cada três dias. Desde 30 de agosto, a SpaceX havia realizado apenas quatro outros lançamentos na região, enquanto concentra parte de seus esforços na construção da infraestrutura necessária para operar os foguetes Starship e Super Heavy no Complexo de Lançamento 39-A, no Centro Espacial Kennedy. Outras empresas também enfrentam dificuldades para retomar suas atividades. A United Launch Alliance trabalha para solucionar problemas identificados no foguete Vulcan e considera uma possível missão não tripulada da cápsula Starliner, da Boeing, utilizando o Atlas V ainda em dezembro. Já a Blue Origin tenta recuperar a plataforma 36, danificada por uma explosão durante um teste do foguete New Glenn em maio. A NASA também contribuiu para o calendário de 2026 com o lançamento da missão Artemis II, realizado em 1º de abril, que levou astronautas em uma viagem ao redor da Lua. O próximo voo do foguete SLS, destinado à missão Artemis III, não está previsto antes de meados de 2027, enquanto a agência prepara novas atualizações sobre o programa lunar.