Em entrevista ao Washington Post, Flávio Bolsonaro fala sobre derrota para Lula e futuro nos EUA

Por Márcio Jandrey, Portal América.

Flávio Bolsonaro concedeu uma entrevista ao jornal americano The Washington Post, publicada após sua saída do Brasil e chegada aos Estados Unidos, onde permanece com a esposa e as duas filhas. A conversa aconteceu em 5 de novembro, em um espaço de trabalho compartilhado em Aventura, na região de Miami, 11 dias depois de sua derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais. Durante a entrevista, o político afirmou que ainda tenta compreender os acontecimentos recentes e que não definiu seus próximos passos. Flávio venceu o primeiro turno, mas acabou derrotado após Lula conquistar aproximadamente 10 milhões de votos adicionais na segunda etapa, terminando com uma vantagem de cerca de 4,4 milhões de votos. Segundo ele, a mudança repentina de cenário provocou um impacto físico e emocional significativo. O ex-candidato declarou que sua prioridade agora é regularizar sua situação migratória nos Estados Unidos e avaliar seu futuro político, sem estabelecer uma previsão de retorno ao Brasil.

Ao comentar sua saída do país, Flávio Bolsonaro afirmou que decidiu partir depois de visitar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após ser condenado a 27 anos de prisão por envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado. Segundo seu relato, os dois conversaram durante aproximadamente 30 minutos, pouco antes de Flávio descobrir que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, havia determinado a entrega de seus passaportes em até 24 horas, no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro. O político deixou o Brasil sem cumprir a determinação judicial e reapareceu dias depois em Miami. Questionado pelo Washington Post sobre o trajeto utilizado e uma possível participação de autoridades americanas, recusou-se a fornecer detalhes, afirmando que nunca revelará o caminho percorrido. Uma fonte da segurança brasileira informou que investigadores apuram a possibilidade de participação de agentes americanos, argentinos e israelenses na operação, enquanto o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, negou envolvimento direto do governo americano. Flávio e sua família receberam autorização para permanecer no país por razões humanitárias, e Donald Trump declarou que o brasileiro poderia ficar pelo tempo que desejasse.

Na entrevista, Flávio Bolsonaro voltou a questionar o resultado das eleições brasileiras. Ele afirmou que não considera possível garantir com absoluta certeza a ausência de fraudes e criticou o funcionamento das instituições brasileiras, alegando que não existe mais democracia plena no país. As autoridades eleitorais, entretanto, não identificaram irregularidades capazes de comprometer o resultado, e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro, declarou que a votação foi legítima. Flávio também afirmou acreditar que Trump compartilha suas preocupações sobre a situação política brasileira e disse considerar os Estados Unidos um lugar onde pode expressar suas opiniões sem receio de prisão. Apesar de permanecer no exterior, o político indicou que pretende continuar participando dos debates sobre o Brasil. Após a entrevista, ele tinha uma participação prevista em um evento conservador realizado em Mar-a-Lago, propriedade de Trump em Palm Beach, onde planejava discursar para apoiadores brasileiros e sinalizar que pretende manter sua atuação política mesmo diante das incertezas sobre seu futuro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *