O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (8) a suspensão de um programa da Microsoft que auxilia funcionários estrangeiros a obterem residência permanente nos EUA, conhecida como green card. A medida foi anunciada pelo vice-presidente JD Vance, que acusou a empresa de utilizar de forma abusiva o programa de vistos H-1B, destinado à contratação temporária de profissionais estrangeiros altamente qualificados. Segundo Vance, a decisão também representa um incentivo para que a gigante da tecnologia priorize a contratação de trabalhadores norte-americanos. O programa interno da Microsoft oferece assistência a funcionários que chegaram aos Estados Unidos com vistos temporários e desejam obter autorização para morar e trabalhar permanentemente no país.
Durante uma entrevista coletiva em Washington, Vance afirmou que o programa H-1B deveria ser utilizado apenas para contratar profissionais estrangeiros em funções que não podem ser preenchidas por trabalhadores norte-americanos. O vice-presidente alegou que o sistema tem sido alvo de fraudes há vários anos e defendeu mudanças nas regras de contratação de estrangeiros. O visto H-1B é amplamente utilizado por empresas dos setores de tecnologia, educação e pesquisa, principalmente para contratar profissionais especializados. Índia e China estão entre os principais países de origem dos beneficiários, enquanto o Brasil aparece na nona posição.
Além das críticas ao programa H-1B, JD Vance anunciou que o governo pretende investigar nove universidades dos Estados Unidos por suspeitas de irregularidades relacionadas ao visto J-1, utilizado por estrangeiros que participam temporariamente de programas de estudo, trabalho e intercâmbio. Entre as instituições mencionadas estão Harvard, Yale, Stanford, Brown e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). O anúncio ocorre um dia depois de o Departamento de Segurança Interna propor uma taxa de US$ 70 mil para instituições de ensino que desejem empregar estudantes estrangeiros por meio do programa de Treinamento Prático Opcional (OPT), que permite trabalhar em atividades relacionadas à área de formação durante ou após os estudos. As iniciativas fazem parte do endurecimento das políticas migratórias do governo Trump, que busca ampliar as restrições à contratação e à permanência de estrangeiros nos Estados Unidos.