Uma investigação criminal sobre uma denúncia de estupro coletivo envolvendo integrantes de uma fraternidade da Universidade Cornell, em Nova York, foi reaberta quase dois anos após o caso inicialmente não resultar em acusações criminais. Uma ex-estudante, identificada judicialmente como Jane Doe, afirma em uma ação civil que foi drogada e estuprada por integrantes da fraternidade Chi Phi na noite de 19 de outubro de 2024. Segundo o processo, ela estava alcoolizada quando chegou à casa da fraternidade e teria sido pressionada a consumir cetamina e outras substâncias antes das agressões. A ação cita sete ex-integrantes da fraternidade, além da própria universidade, da Chi Phi e de outras organizações. Até o momento, nenhum dos homens foi formalmente acusado criminalmente, e pelo menos dois contestaram as alegações por meio de seus advogados.
A estudante denunciou o episódio à polícia da universidade em novembro de 2024, mas a promotoria do condado de Tompkins decidiu na época não apresentar acusações. O promotor Matthew Van Houten afirmou que havia diferenças entre o relato inicial da jovem e as alegações apresentadas posteriormente no processo, incluindo informações sobre o consumo de drogas e as relações sexuais. Paralelamente, Cornell abriu uma investigação interna sob o Title IX em janeiro de 2025 e realizou pelo menos 12 audiências sobre o caso. A universidade informou que o procedimento resultou em punições que incluíram suspensões e expulsões, enquanto a fraternidade Chi Phi permanece proibida de operar no campus.
O caso voltou a ganhar atenção nacional depois que os advogados da ex-estudante apresentaram uma ação civil em setembro de 2026, pedindo indenização em valor não especificado e julgamento por júri. Diante das novas alegações e da repercussão, Van Houten anunciou em 28 de setembro que a promotoria analisará novas evidências e deverá apresentar o material a um grande júri. A governadora de Nova York, Kathy Hochul, também pediu uma investigação independente sobre a forma como Cornell conduziu o caso, enquanto autoridades locais passaram a pressionar a universidade por mudanças na prevenção e investigação de violência sexual. A promotoria informou que uma profissional especializada em crimes sexuais ficará responsável por preparar a apresentação ao Grande Júri, incluindo o depoimento da ex-estudante e eventuais novas provas.