Os países integrantes do Escudo das Américas anunciaram nesta terça-feira (22) uma ação conjunta que inclui o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) entre 24 organizações classificadas pela coalizão como “ameaças compartilhadas” ligadas ao narcotráfico. A medida foi apresentada após um pedido do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e prevê sanções coordenadas contra os grupos. O acordo foi firmado durante uma reunião em Nova York, paralela à Assembleia Geral da ONU, e reúne os Estados Unidos e países latino-americanos e caribenhos, entre eles Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Panamá, Paraguai e Peru. O Brasil não integra a coalizão.
Entre as medidas previstas estão o congelamento de ativos, restrições de imigração e de vistos para integrantes, associados e apoiadores das organizações, além da possibilidade de responsabilização criminal de pessoas que forneçam conscientemente apoio material ou logístico aos grupos. A aplicação das medidas deverá respeitar as leis internas e as obrigações internacionais de cada país participante. Além de PCC e CV, a lista inclui organizações de diferentes países das Américas, como Mara Salvatrucha, Tren de Aragua, cartéis mexicanos, o Exército de Libertação Nacional (ELN), da Colômbia, e o Sendero Luminoso, do Peru. A implementação das sanções ainda depende dos mecanismos jurídicos de cada país.
O combate aos cartéis também foi abordado por Trump durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU. O presidente comparou essas organizações ao Estado Islâmico no Hemisfério Ocidental e afirmou que os Estados Unidos estão dispostos a empregar seus recursos militares para proteger interesses considerados vitais pelo governo norte-americano. A classificação das facções brasileiras é motivo de divergência com o governo brasileiro, que sustenta que PCC e CV são organizações criminosas voltadas principalmente a atividades como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro e discorda de enquadrá-las como organizações terroristas. Em seu próprio discurso na ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil não pretende “terceirizar” a responsabilidade pelo combate ao crime organizado e defendeu a soberania do país nessa área.