Na ONU, Lula diz que Brasil não aceita interferência externa e defende eleições

Por Márcio Jandrey, Portal América.

O presidente Lula discursou nesta terça-feira (22) na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, com uma fala que abordou desde questões internas do Brasil até disputas internacionais e a defesa da soberania nacional. Em seu décimo discurso no debate geral da ONU, Lula tratou de temas como PIX, apostas esportivas, fim da escala 6×1, crime organizado e as eleições brasileiras de 4 de outubro. Sem citar Donald Trump nominalmente em alguns dos principais recados, afirmou que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém” e defendeu cooperação internacional sem interferência estrangeira. Em relação ao combate ao crime organizado, Lula disse que apresentou aos Estados Unidos uma proposta de atuação conjunta para interromper os fluxos de armas e dinheiro utilizados por organizações criminosas.

Na parte dedicada às eleições brasileiras, Lula, que disputa a reeleição, afirmou que o processo eleitoral será transparente e competitivo e defendeu o sistema de votação do país. O presidente também declarou que o Brasil não aceitará interferência externa na escolha dos eleitores e disse que redes de desinformação representam um desafio durante a campanha. Em outros temas nacionais, criticou as plataformas de apostas, defendeu o fim da escala de trabalho 6×1 e afirmou que o governo não pretende ceder a pressões externas relacionadas ao PIX. Ao falar sobre a votação de 4 de outubro, Lula apresentou sua própria caracterização da disputa como uma escolha entre “democracia e negacionismo”, declaração feita no contexto de sua candidatura à reeleição.

No cenário internacional, Lula criticou a capacidade atual da ONU de responder a guerras e crises e voltou a defender mudanças no Conselho de Segurança. O presidente afirmou que o órgão enfrenta um cenário de imobilismo e apresentou o multilateralismo, a soberania dos países e a cooperação internacional como pontos centrais de sua posição. O discurso também abordou conflitos e crises em diferentes regiões, incluindo Gaza, Haiti, Venezuela e Nicarágua. Lula afirmou ainda que a comunidade internacional tem feito concessões ao que chamou de “lei do mais forte” e defendeu uma ordem internacional na qual as decisões sejam tomadas por meio de negociação e instituições multilaterais, em vez da imposição unilateral de países mais poderosos.

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