Andrew Marshall, voluntário responsável pelo programa de cuidados com os cisnes do Lake Eola há cinco anos, passou a cobrar publicamente mudanças mais profundas na forma como a cidade de Orlando cuida das aves após a morte de dezenas delas em decorrência de um surto de gripe aviária. Desde o fim de dezembro, ao menos 37 aves morreram no lago, incluindo 29 cisnes-da-europa, a maioria pertencente à cidade. Diante da gravidade do cenário, Marshall criou uma petição pedindo a criação de um conselho consultivo permanente para monitorar a saúde dos cisnes, além de mais testes, melhorias na qualidade da água, redução de lixo e adaptações estruturais que impeçam que filhotes fiquem presos na água sem acesso seguro à margem.
Segundo Marshall, apesar de os cisnes serem um dos principais símbolos de Orlando e até um atrativo econômico para o parque, não existe uma supervisão direta e contínua dedicada exclusivamente ao bem-estar das aves. Especialistas ouvidos pela prefeitura afirmam que não há vacina para a gripe aviária e que a prática recomendada é permitir que o vírus siga seu curso, na expectativa de que os sobreviventes desenvolvam imunidade. Ainda assim, o temor é de que a doença esteja se espalhando para outros lagos da cidade, após a confirmação de um caso em um pato no vizinho Lake Davis. Dados oficiais indicam que a Flórida já registrou cerca de 975 infecções desde 2022, embora o número real possa ser maior, já que apenas aves submetidas a necropsia entram na contagem.
Com o número de cisnes no Lake Eola reduzido a pouco mais de 40, quase a metade do que havia em anos recentes, Marshall defende que a cidade não reponha o plantel, mas invista em melhores condições para os animais restantes. Ele questiona a sustentabilidade do programa a longo prazo sem mudanças significativas no ambiente e no cuidado oferecido. A prefeitura afirma estar reavaliando o programa após o surto e diz considerar as propostas da petição, que já reúne cerca de 2 mil assinaturas. Entre as medidas em análise estão ajustes no processo de alimentação, melhorias no acesso dos filhotes às margens e uma revisão mais ampla das práticas de manejo, enquanto o tema deve ser discutido em uma próxima reunião do Conselho Municipal.