Trump quer substituir o termo “inteligência artificial” por “superinteligência”

Por Márcio Jandrey, Portal América.

O presidente Donald Trump anunciou que pretende proibir o uso da expressão “inteligência artificial” em documentos oficiais do governo norte-americano e substituir o termo por “superinteligência”. A declaração foi feita na terça-feira (27), por meio de uma publicação na rede social Truth Social, na qual o republicano criticou o jornal The Wall Street Journal por continuar utilizando a nomenclatura tradicional para se referir à tecnologia. Segundo Trump, a expressão atualmente empregada é imprecisa e não representa adequadamente as capacidades dos sistemas tecnológicos modernos. O presidente afirmou que pretende oficializar a mudança em breve, ampliando a restrição para documentos governamentais e outros contextos, embora não tenha explicado como a medida seria aplicada. Na publicação, Trump escreveu que o governo deverá proibir o uso do termo “IA/inteligência artificial” em todos os documentos considerados relevantes e em outras situações, justificando a decisão pela suposta falta de precisão da expressão.

A expressão “inteligência artificial” é utilizada há décadas para identificar tecnologias capazes de executar atividades que normalmente dependem de habilidades cognitivas humanas, como interpretar textos, reconhecer imagens, analisar informações, identificar padrões e produzir diferentes tipos de conteúdo. O conceito abrange desde sistemas utilizados em recomendações de produtos e reconhecimento de voz até ferramentas de inteligência artificial generativa, como o ChatGPT, capazes de elaborar respostas, criar imagens e auxiliar em tarefas de programação. Já o termo “superinteligência”, defendido por Trump, possui um significado diferente no campo tecnológico e científico. Ele costuma ser empregado para descrever uma forma hipotética de inteligência artificial que ultrapassaria as capacidades cognitivas humanas em uma ampla variedade de atividades, incluindo raciocínio, aprendizado e resolução de problemas complexos. Dessa forma, as duas expressões não são consideradas equivalentes pela terminologia técnica atualmente utilizada. Enquanto inteligência artificial é uma classificação ampla que engloba sistemas já existentes e utilizados em diferentes setores, superinteligência se refere a um estágio de desenvolvimento tecnológico que ainda não foi demonstrado de maneira reconhecida e consolidada. A substituição proposta pelo presidente norte-americano, portanto, representaria uma alteração na nomenclatura oficial adotada pelo governo, mas não significaria, por si só, uma mudança nas capacidades ou no funcionamento das tecnologias disponíveis.

A declaração de Trump ocorre em meio à expansão do uso de sistemas de inteligência artificial em atividades empresariais, serviços digitais, pesquisas científicas e processos administrativos, setores nos quais a expressão já está amplamente incorporada à documentação técnica e institucional. O termo também é empregado por universidades, empresas de tecnologia, organizações internacionais e órgãos governamentais para classificar diferentes aplicações e níveis de desenvolvimento desses sistemas. Uma eventual decisão de substituí-lo nos documentos federais norte-americanos exigiria esclarecimentos sobre o alcance da medida, especialmente em materiais técnicos, contratos, políticas públicas e comunicações oficiais que atualmente utilizam a nomenclatura consolidada.

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