Trump diz que não apoiou candidatos nas eleições do Brasil a pedido de Lula

Por Márcio Jandrey, Portal América.

O presidente Donald Trump afirmou nesta quinta-feira (29) que não apoiou publicamente nenhum candidato nas eleições presidenciais brasileiras de 2026 porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria pedido que ele permanecesse neutro durante a disputa. Em declarações a jornalistas, Trump disse que acompanhou o processo eleitoral, mas decidiu não interferir na campanha, apesar de manter proximidade política com o senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno realizado no domingo (25). O republicano também voltou a questionar a eleição brasileira, classificando o processo como vergonhoso, sem apresentar provas de irregularidades ou fraude. Questionado diretamente sobre quem havia vencido a disputa, Trump evitou reconhecer o resultado e afirmou que não queria comentar o assunto naquele momento. O presidente norte-americano mencionou ainda a forte queda registrada no mercado financeiro brasileiro após a reeleição de Lula, utilizando a reação dos investidores como parte de suas críticas ao pleito. Apesar das declarações, Trump afirmou que pretende conversar com o presidente brasileiro, mas não informou quando esse contato deverá ocorrer.

As declarações de Trump ocorrem quatro dias depois da confirmação da vitória de Lula, que foi reeleito para um quarto mandato presidencial com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos. O resultado foi confirmado oficialmente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e não foram apresentadas evidências que sustentem as suspeitas levantadas pelo presidente norte-americano. Na quarta-feira (28), Trump já havia classificado as eleições brasileiras como muito estranhas, novamente sem apresentar provas, e evitado comentar uma carta divulgada por Flávio Bolsonaro na qual o senador se autodenominava líder do Brasil. Na mesma ocasião, o republicano afirmou que aprovava a entrada de Flávio nos Estados Unidos, mas declarou que não pretendia se envolver na situação política do senador. O candidato derrotado desembarcou em Miami na manhã de quarta-feira, acompanhado da esposa e das filhas, após deixar o Brasil por uma passagem terrestre na fronteira com a Argentina. A família seguiu em um avião particular que realizou uma escala no Equador antes de chegar à Flórida. A viagem ocorreu depois de Flávio descumprir uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) que exigia a entrega de seus passaportes à Polícia Federal. Embora o senador tenha levantado questionamentos sobre o processo eleitoral, o Partido Liberal (PL), legenda pela qual disputou a Presidência, reconheceu o resultado oficial e solicitou esclarecimentos à Justiça Eleitoral.

A postura de Trump em relação ao Brasil também ocorre em um momento de movimentação diplomática entre os dois países e de preparação para as eleições legislativas norte-americanas. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, tem uma reunião prevista com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, durante o encontro de chanceleres do G20, programado para sexta-feira (30) e sábado (31), em Atlanta. O encontro acontecerá em meio às declarações do presidente norte-americano sobre a eleição brasileira e poderá servir como oportunidade para contatos diplomáticos entre os governos, embora não tenham sido divulgados detalhes sobre os assuntos que serão discutidos. Ao contrário de sua atuação em outras disputas eleitorais na América Latina, Trump não declarou apoio público a nenhum dos candidatos à Presidência do Brasil em 2026. Paralelamente, os Estados Unidos se aproximam das eleições de meio de mandato, marcadas para terça-feira (3 de novembro), quando os eleitores renovarão toda a Câmara dos Representantes e parte do Senado. O resultado será importante para definir o equilíbrio de forças no Congresso durante os dois anos restantes do mandato presidencial de Trump. Diante da possibilidade de mudanças no controle das duas Casas, o republicano também tem feito declarações sobre a legitimidade das eleições norte-americanas, afirmando que respeitará os resultados caso considere a votação honesta. Até o momento, Trump não confirmou se reconhecerá formalmente a reeleição de Lula, apesar de ter indicado que pretende manter contato com o presidente brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *