Os consulados brasileiros em diversos países começaram a adotar um novo modelo para a emissão de passaportes, no qual os documentos deixam de ser impressos diretamente nos postos consulares e passam a ser confeccionados pela Casa da Moeda, no Brasil. Após a produção, os passaportes são enviados aos consulados para entrega aos cidadãos. A mudança faz parte de um projeto-piloto coordenado pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), que já está em funcionamento em países como Estados Unidos, Portugal, Alemanha, México, Catar e Gana. Segundo o Itamaraty, a iniciativa busca padronizar a emissão dos documentos, aumentar a segurança e tornar o processo mais eficiente.
O projeto foi iniciado em abril de 2026 nos consulados de Boston e Nova York e, desde julho, foi ampliado para todos os 11 postos consulares brasileiros nos Estados Unidos, além de outras representações diplomáticas. De acordo com o MRE, a expansão ocorreu após resultados considerados positivos na fase inicial, incluindo ganhos de produtividade e melhorias no processo de emissão. Apesar de os documentos precisarem ser enviados do Brasil para o exterior, o ministério afirma que a centralização pode contribuir para reduzir o tempo de entrega no futuro, embora não tenha informado prazos específicos para cada país participante.
O Itamaraty também atribui a mudança ao forte crescimento da demanda por serviços consulares. A emissão de passaportes no exterior aumentou de 195,6 mil documentos em 2024 para 274,4 mil em 2025, uma alta de 40%. Apenas no primeiro semestre de 2026, foram emitidos 188,9 mil passaportes, crescimento de 26% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto julho registrou mais de 33 mil solicitações, o maior volume mensal já contabilizado pela pasta. O governo nega que a alteração esteja relacionada a restrições orçamentárias e afirma que o objetivo é modernizar o sistema, reforçar a segurança dos documentos e alinhar o Brasil às práticas adotadas internacionalmente.