Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente do Brasil neste domingo (25), após derrotar Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, conquistando seu quarto mandato à frente do Palácio do Planalto. A vitória foi confirmada pelo sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 21h08, quando 97% das urnas já haviam sido apuradas. Naquele momento, Lula registrava 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% de Flávio Bolsonaro. O resultado representa um marco na política brasileira, tornando o petista o primeiro presidente da história do país a ser eleito quatro vezes pelo voto popular. A conquista ocorreu dois dias antes de Lula completar 81 anos, em 27 de outubro, fazendo dele também o presidente eleito mais velho da história brasileira. A disputa foi marcada por uma virada no segundo turno, já que Flávio Bolsonaro havia terminado a primeira etapa da eleição à frente, com 47% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45%. Nas semanas seguintes, a campanha petista intensificou a mobilização nas ruas e nas redes sociais, incluindo a atuação do canal Exército do Lula, coordenado pelo deputado André Janones (Rede-MG), que reuniu mais de 10 milhões de inscritos. A vitória garante ao presidente mais quatro anos no comando do Poder Executivo, em um cenário de forte oposição no Congresso Nacional e desafios relacionados ao equilíbrio das contas públicas.
A reeleição de 2026 amplia uma trajetória política iniciada no movimento sindical do ABC paulista e que levou Lula à Presidência pela primeira vez em 2002. Nascido em 27 de outubro de 1945, em Pernambuco, Lula mudou-se ainda criança para São Paulo, trabalhou como vendedor ambulante, engraxate e operário, e posteriormente se tornou uma das principais lideranças sindicais do país. Durante a ditadura militar, ganhou projeção nacional ao comandar greves de metalúrgicos e participou da fundação do Partido dos Trabalhadores, em 1980, e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em 1983. Depois de disputar a Presidência sem sucesso em 1989, 1994 e 1998, venceu José Serra em 2002, com 52,7 milhões de votos, e foi reeleito em 2006, ao derrotar Geraldo Alckmin com 58,2 milhões de votos. Seus dois primeiros mandatos foram marcados pela criação e ampliação de programas sociais, como Bolsa Família, Fome Zero e Minha Casa, Minha Vida, além de investimentos em infraestrutura. Após deixar o governo em 2010, Lula enfrentou investigações e condenações relacionadas à Operação Lava Jato, permaneceu preso por 580 dias e recuperou seus direitos políticos em 2021, quando o Supremo Tribunal Federal anulou suas condenações. Em 2022, retornou à disputa presidencial e derrotou Jair Bolsonaro, pai de Flávio Bolsonaro, com 60,3 milhões de votos no segundo turno, iniciando seu terceiro mandato em janeiro de 2023.
O terceiro mandato de Lula foi marcado por mudanças nas políticas econômicas e sociais, crises políticas e medidas aprovadas nos meses anteriores à eleição de 2026. Entre as principais iniciativas estiveram a aprovação da reforma tributária, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, o fortalecimento de programas habitacionais e de transferência de renda e a criação de ministérios voltados a áreas como igualdade racial e povos indígenas. Na reta final do mandato, o governo articulou a aprovação da proposta de emenda à Constituição que estabeleceu o fim da escala de trabalho 6×1, garantindo uma transição para jornadas semanais menores e dois dias de descanso. Também foram anunciadas medidas como o fim da cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50, a proibição das apostas de quota fixa e dos cassinos virtuais, além do programa Prospera MEI e de um reajuste do Bolsa Família. Parte dessas iniciativas recebeu críticas de adversários políticos, que questionaram sua implementação durante o período eleitoral. O governo também enfrentou investigações relacionadas a fraudes no INSS, suspeitas envolvendo integrantes da administração federal e tensões comerciais com os Estados Unidos, especialmente durante a aplicação de tarifas pelo governo de Donald Trump. Com a confirmação do quarto mandato, Lula terá de administrar a relação com um Congresso dividido, as pressões sobre os gastos públicos e a continuidade dos programas sociais, enquanto prepara a próxima gestão presidencial, prevista para começar em janeiro de 2027.