Trump sofre derrota nas eleições de meio de mandato e democratas assumem controle do Congresso

Por Márcio Jandrey, Portal América.

O Partido Democrata conquistou o controle da Câmara dos Representantes e do Senado dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato realizadas nesta terça-feira (3), segundo projeções da emissora NBC News, encerrando a maioria republicana no Congresso e impondo uma derrota política ao presidente Donald Trump. A vitória democrata ocorreu nas duas Casas legislativas e foi acompanhada por avanços em estados tradicionalmente favoráveis aos republicanos, incluindo Iowa, Kansas, Ohio, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Texas. Na Câmara, o partido caminha para conquistar uma de suas maiores maiorias em quase duas décadas, enquanto no Senado conseguiu superar um cenário eleitoral inicialmente considerado difícil. O resultado representa a primeira vez desde 2006 que o partido de oposição ao presidente conquista o controle das duas Casas em uma mesma eleição de meio de mandato. Pesquisas de boca de urna realizadas pela NBC News indicaram que 43% dos eleitores consideraram a oposição a Trump um dos motivos para suas escolhas, enquanto 71% dos entrevistados, incluindo 41% dos republicanos, afirmaram que o Congresso não fiscalizava suficientemente as ações presidenciais. O custo de vida, a imigração, as denúncias de corrupção e a guerra contra o Irã também estiveram entre as principais preocupações do eleitorado. Durante a campanha, Trump pediu que seus apoiadores votassem como se ele próprio estivesse concorrendo, mas, após os resultados desfavoráveis, afirmou nas redes sociais que os republicanos teriam vencido por ampla margem caso seu nome estivesse nas urnas. A nova composição do Congresso, que tomará posse em janeiro de 2027, poderá modificar significativamente a relação entre o Legislativo e a Casa Branca durante os dois últimos anos do mandato presidencial.

A vitória democrata foi impulsionada por mudanças no comportamento de diferentes grupos de eleitores e pelo descontentamento com questões econômicas e políticas do governo Trump. Apesar de ter participado intensamente da campanha republicana, realizando comícios e apoiando candidatos em estados estratégicos, o presidente enfrentou índices baixos de aprovação e críticas relacionadas ao aumento dos preços e à condução da guerra contra o Irã. O conflito, iniciado no fim de fevereiro após ações militares dos Estados Unidos e de Israel, contribuiu para a elevação dos preços dos combustíveis, ampliando as preocupações com o custo de vida. Trump tentou atribuir parte dos problemas econômicos ao governo de seu antecessor, Joe Biden, mas os resultados eleitorais indicaram dificuldades para convencer uma parcela importante do eleitorado. Entre os grupos que apresentaram mudanças de preferência estão os eleitores latinos, que haviam contribuído para o retorno de Trump à Presidência em 2024. Uma pesquisa divulgada pela NBC News no domingo anterior à votação apontou vantagem de 27 pontos percentuais dos democratas entre esses eleitores, diferença superior à registrada nas eleições presidenciais de dois anos antes. O desempenho democrata também chamou a atenção por ocorrer em estados que haviam votado em Trump nas três eleições presidenciais das quais participou. Em algumas dessas disputas, candidatos republicanos escolhidos pessoalmente pelo presidente foram derrotados, apesar de preocupações anteriores de integrantes do próprio partido sobre sua competitividade. Com a mudança no equilíbrio político, o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, deverá retornar ao comando da Casa, enquanto Hakeem Jeffries, atual líder da minoria democrata na Câmara, poderá se tornar o primeiro presidente negro da Câmara dos Representantes. Para assumir oficialmente o cargo, Jeffries precisará conquistar pelo menos 218 votos na eleição interna prevista para 3 de janeiro, depois da definição da liderança partidária em novembro.

O controle democrata das duas Casas deverá ampliar a capacidade do Congresso de fiscalizar o governo federal, abrir investigações e limitar determinadas iniciativas da administração Trump. Com a maioria legislativa, os democratas poderão convocar audiências, emitir intimações e investigar questões relacionadas à política de imigração, às operações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), aos negócios da família presidencial e a possíveis conflitos de interesse envolvendo integrantes do governo. Entre os parlamentares que pretendem liderar essas iniciativas estão Robert Garcia, da Califórnia, e Jamie Raskin, de Maryland, que ocupam posições importantes nas comissões de Fiscalização e Justiça da Câmara. Garcia já indicou interesse em investigar o crescimento do patrimônio da família Trump, as relações financeiras do presidente e questões relacionadas aos crimes de Jeffrey Epstein. Os democratas também pretendem examinar perdões presidenciais concedidos a aliados políticos, presentes e pagamentos de governos estrangeiros e o uso de recursos públicos em projetos ligados à Casa Branca. Jeffries afirmou que um eventual processo de impeachment não constitui uma prioridade imediata, embora o partido não descarte essa possibilidade. No Senado, a nova maioria também poderá dificultar a confirmação de indicados de Trump para cargos federais, incluindo uma eventual vaga na Suprema Corte. Antes da posse dos novos parlamentares, os republicanos ainda poderão tentar aprovar projetos relacionados a impostos, gastos públicos e ao limite da dívida federal durante o período de transição. A derrota também abriu discussões sobre o futuro das lideranças republicanas, incluindo o presidente da Câmara, Mike Johnson, e o líder do Senado, John Thune, além de possíveis consequências para a disputa presidencial de 2028, na qual o vice-presidente JD Vance é considerado um dos principais nomes republicanos. A partir de janeiro, o Congresso passará a ter uma configuração política diferente, com os democratas controlando as duas Casas e o governo Trump enfrentando maior fiscalização e possíveis obstáculos para implementar sua agenda legislativa.

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