Os Estados Unidos realizam nesta terça-feira (3) as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, que definirão o controle do Congresso norte-americano pelos próximos dois anos e poderão influenciar diretamente a segunda metade do governo do presidente Donald Trump. Mais de 50 milhões de eleitores já participaram da votação antecipada, que inclui a renovação de todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 dos 100 assentos do Senado e a escolha de governadores em 36 estados. Atualmente, o Partido Republicano controla as duas Casas do Congresso, com 218 deputados na Câmara, contra 214 democratas, além de um independente e duas vagas abertas. No Senado, os republicanos possuem 53 cadeiras, enquanto os democratas e dois independentes alinhados ao partido somam 47. Pesquisas e projeções divulgadas antes da votação indicam um cenário favorável aos democratas na disputa pela Câmara, enquanto o controle do Senado permanece indefinido. Embora Trump não esteja concorrendo a nenhum cargo, o resultado será importante para sua capacidade de aprovar projetos e implementar políticas até o encerramento do mandato, em janeiro de 2029. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira (2) apontou que a aprovação do presidente estava em 32%, próxima de sua mínima histórica, enquanto parte dos eleitores considera a votação uma oportunidade de manifestar sua avaliação sobre o governo republicano.
A disputa eleitoral envolve diferentes regiões do país e apresenta cenários variados para a Câmara, o Senado e os governos estaduais. No Senado, estados como Maine, Iowa, Michigan, Alasca, Kansas, Ohio e Texas estão entre os principais focos de atenção devido à competitividade das eleições. Para conquistar a maioria, os democratas precisam alcançar pelo menos 51 cadeiras, enquanto os republicanos podem manter o controle com 50 assentos, já que o vice-presidente J.D. Vance, integrante do Partido Republicano, tem o poder de desempatar votações na Casa. Na Câmara dos Representantes, o jornal The New York Times identificou 21 disputas consideradas indefinidas, distribuídas por 14 estados, além de outros 25 distritos com eleições acirradas. Já nas disputas pelos governos estaduais, Alasca, Geórgia, Ohio, Oregon, Nevada e Wisconsin aparecem entre os locais com maior competitividade, segundo agregadores de pesquisas. Outro fator importante é a reorganização dos mapas eleitorais, estratégia que altera os limites dos distritos responsáveis pela escolha dos deputados. Após iniciativas republicanas no Texas e em outros estados, a Califórnia também aprovou mudanças em seus distritos para favorecer candidatos democratas, intensificando a disputa pelo controle da Câmara. As eleições norte-americanas seguem regras diferentes das brasileiras, com cada estado responsável por organizar a votação e apurar os resultados. A contagem normalmente começa após o fechamento das urnas, mas os horários variam conforme a região, e a definição do controle do Congresso pode levar vários dias, especialmente devido ao processamento dos votos enviados pelo correio.
A votação também ocorre em meio a disputas sobre as regras eleitorais e a um volume recorde de recursos destinados às campanhas. O presidente Donald Trump tem defendido restrições ao voto por correspondência, alegando preocupações com possíveis fraudes, e assinou em março um decreto que buscava ampliar a verificação da cidadania dos eleitores e estabelecer novas exigências para a distribuição de cédulas. As medidas foram contestadas judicialmente por estados e organizações de defesa do direito ao voto, que argumentam que a definição das regras eleitorais cabe aos estados e ao Congresso. Em setembro, a Suprema Corte manteve o bloqueio de uma norma do Serviço Postal que implementaria parte dessas exigências antes das eleições de novembro. Paralelamente, a disputa pelo financiamento das campanhas atingiu números históricos. Segundo dados da Comissão Eleitoral Federal compilados pela emissora NPR, os candidatos e organizações políticas arrecadaram mais de US$ 15 bilhões, tornando as eleições de 2026 potencialmente as mais caras da história dos Estados Unidos. Entre julho e setembro, candidatos democratas ou independentes arrecadaram mais do que seus adversários republicanos em 27 das 35 disputas pelo Senado. Por outro lado, organizações externas alinhadas aos republicanos contavam com reservas financeiras superiores às de grupos democratas semelhantes, segundo levantamento da Associated Press. Entre os principais financiadores está o empresário Elon Musk, que destinou US$ 158 milhões ao Senate Leadership Fund, organização ligada aos republicanos. Trump também anunciou um investimento superior a US$ 400 milhões para apoiar candidatos de seu partido, enquanto o empresário Michael Bloomberg prometeu US$ 80 milhões aos democratas. Com os resultados começando a ser divulgados na noite de terça-feira, a eleição determinará a composição do Congresso que acompanhará os dois últimos anos do atual mandato presidencial.