Duane “Keffe D” Davis, de 63 anos, foi condenado nesta terça-feira (13) a uma pena de 40 anos à prisão perpétua por organizar o assassinato do rapper Tupac Shakur, ocorrido em Las Vegas, nos Estados Unidos, em setembro de 1996. Davis havia sido considerado culpado em agosto por homicídio em primeiro grau com uso de arma de fogo, tornando-se a única pessoa formalmente acusada e condenada pelo crime após três décadas de investigação. Durante a audiência, o promotor Marc DiGiacomo defendeu a aplicação da pena máxima, argumentando que o réu tentou obter benefícios financeiros ao divulgar sua participação no assassinato. Familiares de Tupac, incluindo seus irmãos Maurice “Mopreme” Shakur e Sekyiwa “Set” Shakur, acompanharam o julgamento. A defesa de Davis anunciou que pretende recorrer da decisão, alegando que as autoridades demoraram excessivamente para apresentar as acusações.
O assassinato aconteceu na noite de 7 de setembro de 1996, quando Tupac estava no banco do passageiro de uma BMW preta conduzida pelo empresário musical Marion “Suge” Knight. Enquanto o veículo aguardava em um semáforo próximo à Las Vegas Strip, um Cadillac branco se aproximou e seus ocupantes efetuaram diversos disparos. O rapper foi atingido várias vezes e morreu seis dias depois, aos 25 anos, enquanto Knight sobreviveu ao ataque. Segundo os promotores, o crime foi motivado por uma rivalidade entre os grupos South Side Compton Crips e Mob Piru, intensificada após uma agressão contra Orlando “Baby Lane” Anderson, sobrinho de Davis, horas antes do tiroteio. Em entrevistas e em um livro publicado em 2019, Davis afirmou que estava no Cadillac e que entregou a arma a um ocupante do banco traseiro, de onde partiram os disparos. Essas declarações foram utilizadas pela acusação durante o julgamento, enquanto a defesa questionou a ausência de provas físicas que ligassem diretamente o réu ao assassinato.
A condenação encerra uma etapa de um dos casos criminais mais conhecidos da história do hip-hop americano. Durante o julgamento, que contou com nove dias de depoimentos, os promotores apresentaram declarações feitas pelo próprio Davis a investigadores e documentaristas. O júri levou aproximadamente três horas para chegar ao veredito de culpado. O nome do empresário musical Sean “Diddy” Combs também foi mencionado durante o processo, após Davis alegar que ele teria oferecido dinheiro para assassinar Tupac e Suge Knight. Combs negou repetidamente qualquer envolvimento no crime e não foi acusado pelo assassinato. Segundo o promotor distrital do condado de Clark, Steve Wolfson, atualmente não existem provas suficientes para apresentar acusações contra outras pessoas, embora novas informações possam levar à reabertura de investigações. Os outros três supostos ocupantes do Cadillac, incluindo Orlando Anderson, já morreram. Tupac Shakur permanece como um dos nomes mais influentes da história do rap, com músicas que abordam desigualdade social, violência, dificuldades pessoais e questões relacionadas à população negra nos Estados Unidos.