Forças Armadas dos EUA se preparam para possíveis guerras na região da Lua

Por Márcio Jandrey, Portal América.

As Forças Armadas dos Estados Unidos precisam se preparar para possíveis operações de combate não apenas na órbita da Terra, mas também na região entre o planeta e a Lua, afirmou nesta quarta-feira (16) o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto. Durante a Air, Space & Cyber Conference, em Maryland, Caine disse que os militares americanos devem adaptar suas capacidades para atuar desde o fundo dos oceanos até o chamado espaço cislunar, área que se estende além das órbitas terrestres mais altas em direção à Lua. A declaração ocorre poucos dias depois de o secretário da Força Aérea, Troy Meink, confirmar publicamente, pela primeira vez, que os Estados Unidos mantêm “armas de controle espacial” em órbita, embora detalhes sobre esses sistemas permaneçam sob sigilo.

A Força Espacial americana afirma que a preparação acompanha o avanço das atividades humanas para regiões mais distantes do espaço e o desenvolvimento de capacidades militares por outros países. O tenente-general Gregory Gagnon, comandante do Combat Forces Command, afirmou que potenciais adversários buscam ampliar suas capacidades de guerra espacial e citou especificamente a China. Pequim criou uma força militar dedicada a operações espaciais em 2024 e, após as recentes declarações americanas, afirmou que se opõe à militarização e a uma corrida armamentista no espaço. O governo chinês também pediu que Washington interrompa a expansão de seus preparativos militares fora da Terra.

A expansão das capacidades militares no espaço também levanta questões sobre os limites estabelecidos pelo Tratado do Espaço Sideral de 1967, do qual Estados Unidos e China fazem parte. O acordo proíbe colocar armas nucleares ou outras armas de destruição em massa em órbita e determina que a Lua e outros corpos celestes sejam utilizados exclusivamente para fins pacíficos, além de proibir bases militares, testes de armas e manobras militares nesses corpos celestes. O tratado, porém, não estabelece uma proibição geral de todas as armas convencionais em órbita. Em meio às mudanças, a Força Espacial americana também pretende ampliar seu efetivo para aproximadamente 25 mil integrantes nos próximos cinco anos, com parte significativa desse crescimento direcionada às forças de combate.

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