O presidente Donald Trump afirmou nesta sexta-feira (14) que pretende declarar em breve o Estreito de Ormuz como território americano, em mais uma escalada da pressão de Washington sobre o Irã. A região é uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo no mundo e possui importância estratégica para Teerã. O governo iraniano reagiu à declaração afirmando que o estreito está sob sua autoridade e que as ameaças dos Estados Unidos não intimidam o país. A disputa ocorre enquanto Washington e Teerã tentam negociar um acordo para encerrar um conflito que já dura quase seis meses.
Localizado entre o Irã e a Península Arábica, o Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e, posteriormente, ao Mar Arábico e ao Oceano Índico. Apesar de sua extensão relativamente pequena, a passagem é fundamental para o mercado mundial de energia: cerca de 20% do petróleo consumido no planeta atravessa a região. Países como Arábia Saudita, Irã e Emirados Árabes Unidos utilizam a rota para transportar parte de sua produção aos mercados internacionais. Atualmente, as águas do estreito estão divididas entre áreas sob soberania do Irã e de Omã, enquanto o direito internacional estabelece regras para a circulação de embarcações e aeronaves em estreitos utilizados para navegação internacional.
Uma eventual declaração unilateral dos Estados Unidos não seria suficiente para transformar o Estreito de Ormuz em território americano. A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar estabelece direitos de passagem por rotas internacionais, enquanto a Carta da ONU proíbe ameaças ou uso da força contra a integridade territorial de outros países. Durante o conflito, o Irã afirmou ter fechado o estreito e passou a exigir autorização da Guarda Revolucionária para a passagem de navios comerciais, colocando o controle da rota no centro das negociações de paz. Trump também afirmou que os Estados Unidos pretendem aumentar a pressão econômica sobre Teerã, um dia depois de o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciar que novas medidas contra o Irã poderão ser apresentadas já na próxima semana.