A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou que o governo decretou um estado de exceção que concede poderes especiais ao presidente Nicolás Maduro em caso de uma eventual “agressão” dos Estados Unidos. A medida foi assinada após Washington mobilizar navios de guerra e tropas para o Caribe para reforçar operações contra o narcotráfico. O decreto, segundo Rodríguez, autoriza Maduro a atuar em defesa e segurança nacional diante de qualquer ação hostil, em um momento em que Caracas denuncia um aumento significativo da pressão militar e diplomática vinda da Casa Branca.
As tensões entre Donald Trump e Maduro não são recentes, mas se intensificaram nos últimos meses. Washington acusa o líder venezuelano de liderar um cartel internacional de drogas e, desde 2020, oferece uma recompensa milionária por informações que levem à sua prisão. Já Caracas, por sua vez, rejeita as acusações, afirmando que apenas uma pequena parte das drogas produzidas na Colômbia passa por seu território. Mesmo com as ameaças, Maduro tem buscado canais de diálogo, chegando a enviar uma carta a Trump pedindo cooperação e propondo colaborar na captura de chefes do grupo criminoso Tren de Aragua, que se expandiu por diversos países da região.
Apesar dos gestos de aproximação, os Estados Unidos realizaram ao menos três ataques recentes contra embarcações que alegaram estar ligadas ao narcotráfico venezuelano. A ofensiva militar incluiu navios de guerra, caças F-35 e até um submarino nuclear, aumentando o temor de uma escalada na região. Enquanto parte do governo Trump defende uma linha mais dura contra Caracas, outros setores em Washington ainda pressionam por uma solução diplomática. Nesse cenário de incertezas, o decreto de Maduro surge como uma tentativa de demonstrar força interna e preparar o país para qualquer possível confronto.