O presidente Donald Trump pediu para que companhias aéreas considerem o espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela fechado, ampliando a tensão em meio aos sinais de uma possível operação norte-americana contra o governo de Nicolás Maduro. A orientação foi publicada na rede Truth Social e direcionada não apenas às empresas aéreas, mas também a pilotos, narcotraficantes e traficantes de pessoas. A declaração ocorre dias após o governo americano elevar o nível de alerta sobre a segurança na região, citando riscos decorrentes do aumento da atividade militar nos arredores do território venezuelano.
A recomendação reforça o movimento iniciado em 21 de novembro, quando a Administração Federal de Aviação (FAA) havia solicitado que companhias “exercessem cautela” ao sobrevoar o espaço aéreo venezuelano. Desde então, diversas empresas interromperam voos que cruzavam a área, levando Caracas a revogar a licença de operação de ao menos seis companhias, incluindo Gol, Avianca, TAP e Turkish Airlines. O governo venezuelano acusou essas empresas de aderirem ao que chamou de “ações de terrorismo de Estado” promovidas pelos Estados Unidos, exigindo a retomada imediata das rotas e ampliando o clima de confronto diplomático.
A escalada coincide com outras movimentações recentes de Washington, que tem ampliado sua presença militar no Caribe sob a justificativa de combater o narcotráfico. Nos últimos meses, forças americanas atacaram embarcações suspeitas e o Departamento de Estado classificou o Cartel de los Soles como organização terrorista estrangeira, acusando Maduro de liderar o suposto grupo. Paralelamente, o “New York Times” revelou que Trump conversou por telefone com Maduro no fim de semana anterior, discutindo a possibilidade de um encontro futuro. A intensificação das advertências e o fechamento informal do espaço aéreo reforçam a percepção de que novas ações militares na região podem ser anunciadas a qualquer momento.