O presidente Donald Trump afirmou que os bombardeios terrestres contra alvos ligados ao narcotráfico na América Latina começarão “muito em breve”. A declaração foi feita durante uma reunião de gabinete e marca mais um passo na escalada retórica e militar dos Estados Unidos, especialmente em relação à Venezuela de Nicolás Maduro. Os ataques em terra seriam uma extensão das operações já realizadas contra barcos no Caribe e no Pacífico, que, desde setembro, deixaram mais de 80 mortos. Embora não tenha citado diretamente a Venezuela ao falar dos novos bombardeios, grande parte das embarcações alvo das operações partiu do país, que é o principal foco da campanha militar na região.
De acordo com o The Wall Street Journal, o governo avalia bombardear alvos dentro da Venezuela e já teria identificado portos e aeroportos controlados pelos militares e supostamente usados para o tráfico de drogas. Os Estados Unidos acusam Maduro de chefiar o Cartel de los Soles, classificação que vem sendo usada para justificar o aumento da pressão militar e a possibilidade de um ataque direto a território venezuelano. Maduro, por sua vez, afirma que Washington usa o tema das drogas como pretexto para tentar removê-lo do poder e nega a existência do cartel, além de fazer apelos públicos e privados contra uma intervenção, incluindo telefonemas a Trump e propostas rejeitadas para uma saída negociada.
Trump também ampliou o escopo da ameaça ao afirmar que qualquer país que trafique drogas para o território norte-americano pode ser alvo de ataque. Durante a mesma reunião, ele acusou a Colômbia de manter fábricas de produção de cocaína e de enviar drogas aos EUA, chamando o presidente colombiano Gustavo Petro de “traficante de drogas ilegal” em uma rede social dias antes. Dados do Relatório Mundial sobre Drogas de 2025 apontam que a maior parte da cocaína que chega aos Estados Unidos vem de Colômbia, Peru e Bolívia, enquanto o fentanil, responsável por quase 70% das overdoses em 2023, tem origem principalmente no México. Petro rebateu as acusações dizendo que a Colômbia destrói diariamente laboratórios de cocaína para impedir que a droga chegue ao mercado americano, em meio a um cenário de forte tensão diplomática e de crescente militarização no Caribe.