A Rússia cobrou esclarecimentos dos Estados Unidos sobre o que chamou de “sinais contraditórios” a respeito da retomada de testes nucleares, anunciada recentemente pelo presidente americano Donald Trump. O Kremlin expressou preocupação com o impacto global de uma possível reativação desses testes, afirmando que tal decisão poderia gerar “respostas proporcionais” da Rússia e de outras potências nucleares. A medida ordenada por Trump determinava que os militares norte-americanos reiniciassem o processo de testes de armas nucleares, mas sem especificar se se tratava de testes de voo de mísseis com capacidade nuclear ou de explosões atômicas subterrâneas, algo que nem os EUA nem a Rússia realizam desde o fim da Guerra Fria.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, afirmou que os sinais provenientes de Washington estão gerando “preocupação justificada em todos os cantos do mundo”. Segundo ela, se os EUA realmente planejarem retomar testes explosivos, isso “criará uma dinâmica negativa” e forçará outros países, incluindo a Rússia, a adotar medidas em resposta. Em meio à incerteza, o presidente Vladimir Putin ordenou a seus principais assessores que elaborem propostas para possíveis testes nucleares russos, caso os americanos avancem com seus planos.
Especialistas em segurança internacional alertam que uma retomada dos testes por qualquer uma das grandes potências poderia desestabilizar o equilíbrio estratégico global, em um momento já marcado por tensões elevadas especialmente por causa da guerra na Ucrânia. Rússia e Estados Unidos detêm os maiores arsenais nucleares do planeta, e o último tratado que limita o número de ogivas estratégicas de ambos os lados expira em três meses. Putin propôs estender as restrições por mais um ano, mas Trump ainda não respondeu formalmente, alimentando temores de uma nova corrida armamentista entre as duas maiores potências nucleares do mundo.