O cancelamento de voos para a Venezuela ganhou força nos últimos dias, com pelo menos seis companhias aéreas internacionais suspendendo suas operações de e para o país. Após um alerta da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), que identificou riscos elevados para aeronaves devido ao agravamento da instabilidade militar no país, empresas como Avianca, Gol, TAP, Iberia e Latam interromperam suas operações de e para Caracas. A decisão afeta rotas regulares e deixa milhares de passageiros em incerteza, enquanto as companhias afirmam que continuarão monitorando a situação antes de definir quando retomar os serviços.
O alerta da FAA destacou que a intensificação da atividade militar ao redor da Venezuela cria um cenário “potencialmente perigoso” para aeronaves, tanto em voo quanto durante pousos e decolagens. Essa sinalização ocorre em meio ao reforço militar dos Estados Unidos no Caribe, que inclui o porta-aviões Gerald Ford e uma série de embarcações e aeronaves de guerra. Embora Washington declare que a operação tem como foco o combate ao narcotráfico, os ataques recentes a embarcações, que resultaram em dezenas de mortes, alimentaram críticas e acusações de “execuções extrajudiciais”, aumentando o clima de tensão regional.
Diante desse cenário, o governo de Nicolás Maduro acusa os EUA de preparar uma possível ofensiva e afirma ter reforçado suas defesas, especialmente na região aérea de Maiquetía, onde fica o principal aeroporto do país. A narrativa divergente entre Washington e Caracas, com os norte-americanos justificando sua presença militar como combate ao crime e o governo venezuelano denunciando uma tentativa de desestabilização, aprofunda o impasse.