Um documento do FBI divulgado na mais recente leva de arquivos sobre o caso Jeffrey Epstein revela que Donald Trump teria ligado, em 2006, ao então chefe de polícia de Palm Beach após o início das investigações contra o financista. Segundo o registro da entrevista feita pelo FBI em 2019 com o ex-policial, identificado como Michael Reiter, o atual presidente dos Estados Unidos teria afirmado: “Graças a Deus que estão prendendo ele, todo mundo sabia que ele estava fazendo isso”. Reiter confirmou ao Miami Herald que recebeu a ligação na época, reforçando a autenticidade do relato descrito no documento federal.
De acordo com o resumo da entrevista, Trump também teria dito que expulsou Epstein de seu clube em Mar-a-Lago e que “as pessoas em Nova York sabiam que ele era repugnante”. O ex-chefe de polícia afirmou ainda que o presidente mencionou Ghislaine Maxwell como “agente” de Epstein e sugeriu que as autoridades concentrassem atenção nela. Maxwell foi condenada em 2021 a 20 anos de prisão por recrutar adolescentes para serem abusadas pelo bilionário. O documento indica também que Trump teria dito que já esteve próximo de Epstein enquanto ele estava acompanhado de jovens, mas que “saiu de lá o mais rápido possível”.
A Casa Branca reagiu com cautela às revelações. Questionada, a secretária de imprensa Karoline Leavitt afirmou que a ligação “pode ou não ter ocorrido” e reiterou que Trump sempre sustentou ter rompido relações com Epstein anos antes de sua primeira prisão. Um representante do Departamento de Justiça declarou não ter conhecimento de evidências que confirmem o contato telefônico. Ainda assim, a suposta conversa deve reacender questionamentos sobre o que Trump sabia à época das investigações iniciais, que culminaram no controverso acordo judicial de 2008, posteriormente alvo de críticas por ter concedido tratamento brando a Epstein.