Durante a madrugada desta terça-feira (20), o presidente Donald Trump voltou a provocar a comunidade internacional ao publicar imagens geradas por inteligência artificial (IA) na rede Truth Social reivindicando a Groenlândia como território americano. Em uma das imagens, Trump aparece hasteando a bandeira dos Estados Unidos em uma paisagem nevada, com a inscrição “Groenlândia, Território dos EUA, Est. 2026”, ao lado do vice-presidente J.D. Vance e do secretário de Estado Marco Rubio. Em outra cena criada por IA, o presidente surge no Salão Oval conversando com líderes europeus diante de um mapa do Hemisfério Ocidental no qual a bandeira americana é sobreposta a países como Estados Unidos, Canadá, Venezuela e Groenlândia, reforçando simbolicamente sua ambição sobre a ilha ártica.
As postagens ocorreram no mesmo dia em que o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou que a população deve começar a se preparar para a possibilidade de uma invasão militar. Em entrevista coletiva, Nielsen disse que o governo trabalha em planos de contingência, incluindo a criação de uma força-tarefa para orientar os moradores sobre medidas práticas, como estocagem de alimentos e procedimentos básicos de segurança. Embora tenha ressaltado que um conflito armado ainda seja considerado improvável, o premiê afirmou que a ameaça não pode ser ignorada, destacando que Trump “deixou claro que essa possibilidade não está descartada”. Segundo ele, também estão sendo preparados panfletos informativos para a população sobre como agir em caso de escalada militar.
O clima de tensão se intensifica em meio ao desgaste diplomático entre Estados Unidos, Dinamarca e aliados europeus. Trump reafirmou que “não há volta atrás” em seu objetivo de controlar a Groenlândia, território autônomo dinamarquês e integrante do guarda-chuva de segurança da Otan, o que amplia o impacto global de qualquer ação militar. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, classificou o momento como um “capítulo sombrio” e alertou que “o pior ainda pode estar por vir”. Diante do cenário, países como Reino Unido, França, Alemanha, Holanda, Noruega e Suécia começaram a enviar tropas para a ilha e planejam exercícios militares, evidenciando a crescente relevância estratégica da Groenlândia para a segurança internacional.