ONU condena operação no Rio de Janeiro e pede investigação em megaoperação policial

Por Márcio Jandrey, Portal América.

O Alto Comissariado dos Direitos Humanos da ONU emitiu uma dura nota de condenação à megaoperação policial realizada nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, que deixou 64 mortos, incluindo quatro policiais. A entidade expressou “horror” diante da escalada de violência e destacou que o episódio reforça uma preocupante tendência de uso excessivo da força por parte das autoridades brasileiras em comunidades marginalizadas. O comunicado também cobrou do governo do Rio e das autoridades nacionais o cumprimento das obrigações internacionais de direitos humanos, além de exigir investigações “rápidas, independentes e eficazes” sobre as mortes registradas.

A operação, considerada a mais letal da história do estado, integra a chamada Operação Contenção, uma ofensiva permanente das forças de segurança fluminenses contra o avanço do Comando Vermelho em territórios do Rio. Cerca de 2.500 policiais civis e militares participaram da ação, que tinha como objetivo cumprir 100 mandados de prisão. Desde as primeiras horas da manhã, moradores relataram intensos tiroteios, barricadas em chamas e o uso de drones por traficantes para lançar explosivos contra as equipes policiais. A intensidade dos confrontos fez com que as autoridades classificassem a ação como uma das mais complexas e violentas já executadas na região.

Em resposta à ofensiva, criminosos bloquearam vias estratégicas da cidade e incendiaram veículos, paralisando parte da Zona Norte e levando pânico à população. O cenário de caos fez com que o Departamento de Estado dos Estados Unidos emitisse um alerta a turistas que estão no Rio, pedindo cautela e recomendando evitar deslocamentos desnecessários. Enquanto a operação continuava em andamento até o fim da tarde, organizações de direitos humanos no Brasil e no exterior reiteraram preocupações sobre a falta de transparência nas ações policiais e o alto número de vítimas fatais, reacendendo o debate sobre a política de segurança pública e o uso da força no país.

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