A abertura da 80ª Assembleia Geral da ONU foi marcada por discursos de forte contraste entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Lula utilizou sua fala para atacar diretamente as sanções impostas pelos Estados Unidos, defender a soberania brasileira e criticar a interferência externa em assuntos nacionais, associando tais práticas ao apoio da extrema-direita. Ele também destacou a gravidade da crise humanitária em Gaza, classificando a situação como um “genocídio em curso” e reforçando que não haverá pacificação sem justiça. Além disso, ressaltou a importância da independência do Judiciário e apontou que falsas narrativas têm sido usadas para desestabilizar o Brasil.
Trump, em contrapartida, fez um discurso centrado na exaltação de sua própria gestão, que classificou como responsável por uma “era de ouro” nos Estados Unidos. Ele voltou a endurecer sua posição contra a imigração, acusou a ONU de apoiar quem tenta entrar ilegalmente no país e rejeitou de forma categórica o reconhecimento do Estado Palestino, que chamou de “recompensa para os terroristas do Hamas”. O republicano também comentou sobre o debate climático, afirmando que o aquecimento global é “o maior golpe já perpetrado no mundo”, e justificou o aumento de tarifas contra o Brasil como uma resposta à suposta interferência em questões ligadas à liberdade de cidadãos americanos.
Apesar das divergências explícitas, Trump surpreendeu ao mencionar um breve encontro com Lula nos bastidores da ONU. Segundo ele, ambos se cumprimentaram cordialmente, trocaram algumas palavras e concordaram em realizar uma reunião mais extensa na semana seguinte. Trump chegou a dizer que sentiu uma “boa química” com o líder brasileiro, destacando que “gosta de Lula” e que acredita que o sentimento é recíproco. A fala adicionou um tom de imprevisibilidade ao clima de tensão diplomática, já que, ao mesmo tempo em que expuseram agendas quase opostas, os dois líderes sinalizaram a possibilidade de diálogo.