Integrantes do governo brasileiro afirmam que o presidente Lula ainda avalia cuidadosamente o convite feito pelo presidente Donald Trump para integrar o chamado “Conselho de paz” voltado à Faixa de Gaza. Entre os pontos analisados estão os objetivos reais do grupo, quais países participarão, o posicionamento dessas nações sobre o conflito e os possíveis custos financeiros decorrentes das decisões adotadas. Diplomatas destacam que muitas informações ainda não estão claras e que o Brasil pretende consultar países relevantes antes de assumir qualquer compromisso, reforçando que a construção de uma posição diplomática exige diálogo e alinhamento internacional.
A análise ocorre em um contexto em que Lula já manifestou publicamente críticas contundentes às ações militares de Israel em Gaza, classificando-as como um processo de destruição sistemática contra o povo palestino. O chanceler brasileiro também descreveu a situação como uma “carnificina”, reconhecendo o direito de Israel à defesa, mas apontando que os ataques contra civis ultrapassaram os limites da proporcionalidade.
O “Conselho de paz”, anunciado por Trump como peça central da segunda fase do plano apoiado pelos Estados Unidos para encerrar o conflito, pretende discutir governança, reconstrução, investimentos e mobilização de recursos na região. O convite surge em meio a um cenário diplomático delicado, marcado por divergências entre Brasil, Israel e Estados Unidos desde a tentativa brasileira de aprovar um cessar-fogo na ONU em 2023. Mesmo assim, o governo brasileiro afirma que vê com interesse qualquer iniciativa que possa contribuir para a estabilidade e a paz no Oriente Médio, desde que os termos e impactos da proposta sejam devidamente esclarecidos.