O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país irá reconstruir as instalações nucleares danificadas pelos bombardeios dos Estados Unidos e Israel ocorridos em junho. Em discurso firme, Pezeshkian declarou que “destruir prédios e fábricas não vai criar um problema para nós. Vamos reconstruir e com mais força”, em clara resposta ao presidente americano Donald Trump, que havia ameaçado novos ataques caso o Irã tentasse reparar os locais atingidos, incluindo Fordow, Isfahan e Natanz, três dos principais centros nucleares iranianos.
Durante uma visita à Organização de Energia Atômica do Irã, Pezeshkian reforçou que o programa nuclear iraniano tem fins exclusivamente civis, voltados à medicina e à energia, e não à construção de armas. Ele publicou ainda um vídeo nas redes sociais afirmando que Teerã “não será impedido” de seguir com o desenvolvimento científico do país, defendendo o direito soberano do Irã de conduzir pesquisas em território próprio. Apesar disso, potências ocidentais e Israel continuam desconfiando das intenções iranianas, argumentando que o avanço do enriquecimento de urânio poderia colocar em risco a segurança global e aumentar a instabilidade no Oriente Médio.
Os bombardeios de junho representaram o ponto mais tenso das relações entre o Irã, Israel e os Estados Unidos desde 2018, quando Washington abandonou o acordo nuclear firmado com Teerã. À época, o Irã havia elevado o enriquecimento de urânio a níveis próximos ao necessário para armas nucleares, levando Israel a lançar uma série de ataques coordenados com apoio logístico americano. Agora, com a promessa de reconstrução das usinas e a resistência iraniana em retomar a cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), cresce o temor de uma nova escalada militar na região mesmo com países como Omã tentando reabrir canais de negociação diplomática entre Teerã e Washington.