Nos últimos meses, o governador Cláudio Castro tem se empenhado em uma articulação direta com o governo de Donald Trump para que os Estados Unidos reconheçam o Comando Vermelho (CV) como uma organização narcoterrorista. A medida, segundo o governo, seria essencial para fortalecer o combate ao crime organizado no Brasil e abrir caminho para cooperação internacional com agências como a DEA, o FBI e a Interpol. Castro entregou à embaixada americana um relatório confidencial que detalha como o CV preenche os critérios legais dos EUA para ser incluído nas listas de sanções econômicas e bloqueio de ativos, mencionando a crescente sofisticação, brutalidade e atuação transnacional da facção.
O documento, intitulado “Análise Estratégica: Inclusão do Comando Vermelho nas listas de sanções e designações dos EUA”, argumenta que a nova classificação permitiria extradições mais rápidas de líderes do CV refugiados em países vizinhos, além de ampliar o alcance de sanções para empresas e aliados econômicos ligados ao tráfico e ao armamento pesado. Na visão do governo do Rio, o reconhecimento do Comando Vermelho como grupo terrorista representaria um avanço na cooperação entre Brasil e EUA, reforçando as estratégias de segurança pública e o bloqueio de fontes financeiras internacionais que sustentam o crime.
A proposta, no entanto, enfrenta resistência do governo federal brasileiro, que teme possíveis impactos econômicos e diplomáticos. Mesmo assim, Castro e outros governadores de direita pretendem incluir o tema em uma emenda ao projeto de lei antifacção, atualmente em tramitação no Congresso. Para o grupo, a medida colocaria o Brasil em sintonia com países que já tratam facções como o CV e o PCC sob o prisma do narcoterrorismo global, aproximando o país das políticas de segurança americana e fortalecendo o enfrentamento ao crime organizado em todas as suas dimensões.