O Federal Reserve decidiu manter a taxa básica de juros dos Estados Unidos no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano, conforme anunciado nesta quarta-feira (18), em linha com as expectativas do mercado financeiro. A medida marca a segunda reunião consecutiva sem alteração nas taxas, após a interrupção de um ciclo anterior de cortes iniciado no começo do ano. A autoridade monetária indicou que a decisão ocorre em meio a um cenário de incertezas econômicas, embora a atividade no país siga em ritmo considerado sólido.
O Comitê Federal de Mercado Aberto destacou, em comunicado, que a inflação permanece acima da meta, enquanto o mercado de trabalho apresenta estabilidade, com baixa geração de empregos e pouca variação na taxa de desemprego. O documento também ressaltou o aumento das incertezas diante do conflito no Oriente Médio, especialmente após a escalada de tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O impacto da alta recente do petróleo, que chegou a atingir cerca de US$ 120 no mercado internacional, é apontado como fator de risco relevante para a trajetória inflacionária.
A manutenção dos juros ocorre em meio a pressões políticas e mudanças na composição do banco central, além de efeitos diretos nos mercados globais. Nos Estados Unidos, rendimentos elevados de títulos públicos seguem atraindo capital estrangeiro, fortalecendo o dólar. Esse movimento tem reflexos em economias emergentes, como o Brasil, ao influenciar o câmbio e a condução da política monetária local. Apesar do cenário atual, parte dos dirigentes do Fed ainda projeta ao menos um corte de juros ao longo de 2026.