EUA propõem exigir histórico de redes sociais e dados pessoais de turistas isentos de visto

Por Márcio Jandrey, Portal América.

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (10) uma proposta que endurece significativamente as exigências para turistas estrangeiros atualmente isentos de visto. Caso a medida seja aprovada, visitantes de 42 países que utilizam o Sistema Eletrônico para Autorização de Viagem (ESTA), que inclui Alemanha, França, Reino Unido e Japão, terão que fornecer às autoridades americanas os históricos de redes sociais dos últimos cinco anos, além de uma lista de números de telefone usados no mesmo período e endereços de e-mail dos últimos dez anos. A proposta se alinha a regras já aplicadas a solicitantes de visto de países fora do ESTA, como o Brasil, cujos viajantes vêm sendo obrigados a entregar informações detalhadas desde junho. O texto, publicado no Federal Register pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, ainda passará por um período de revisão pública de 60 dias.

A medida amplia de forma expressiva o volume de dados pessoais exigidos dos viajantes, incluindo nomes, endereços, datas de nascimento e números de telefone de pais, cônjuges, filhos e irmãos. De acordo com o documento, qualquer inconsistência nessas informações pode resultar no impedimento de entrada no país. A publicação ocorre poucos dias após orientação do Departamento de Estado revelada pela Reuters, segundo a qual estrangeiros que já trabalharam com moderação de conteúdo, segurança digital ou checagem de fatos poderão ter vistos negados sob a justificativa de atuarem em “censura” e “supressão da livre expressão”. A iniciativa se soma a outras ações tomadas pelo governo Trump ao longo do ano para restringir a entrada de estrangeiros, incluindo propostas de limitar a permanência de jornalistas e endurecer critérios para vistos de trabalho.

Esse cerco mais rígido coincide com uma queda expressiva no turismo internacional para os Estados Unidos. Segundo o World Travel & Tourism Council (WTTC), os gastos de visitantes estrangeiros devem cair de US$ 181 bilhões em 2024 para menos de US$ 169 bilhões em 2025, uma perda estimada em US$ 12,5 bilhões. A medida anunciada agora surge poucos meses antes de eventos de grande porte, como a Copa do Mundo de 2026 e os Jogos Olímpicos de 2028, que devem atrair milhões de visitantes.

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