Eileen Higgins se torna a primeira democrata eleita prefeita de Miami desde 1997

Por Márcio Jandrey, Portal América.

A eleição de Eileen Higgins como prefeita de Miami marcou um acontecimento político incomum na cidade, que há quase trinta anos não elegia um democrata para o cargo. A vitória foi anunciada pela Associated Press menos de uma hora após o fechamento das urnas, com Higgins abrindo ampla vantagem sobre o republicano Emilio Gonzalez, apoiado pelo presidente Donald Trump. Embora a disputa seja oficialmente apartidária, a corrida ganhou destaque nacional por ocorrer em um dos principais redutos políticos de Trump na Flórida, especialmente em uma cidade de maioria hispânica que tem historicamente inclinado seu apoio aos republicanos nos últimos anos.

O resultado reforça o impulso recente dos democratas, que vêm acumulando vitórias em eleições locais importantes, incluindo disputas para governador e prefeitura em outros estados. Analistas ressaltam que o triunfo de Higgins, somado a essas vitórias, levanta dúvidas entre republicanos sobre a manutenção do apoio hispânico que Trump conquistou em 2024, especialmente em Miami-Dade. Ainda assim, a própria democrata adotou um tom local em sua declaração, afirmando que sua eleição representa um rompimento com “anos de caos e corrupção”, sem fazer comentários sobre possíveis repercussões nacionais.

A vitória de Higgins também é significativa por seu aspecto histórico: ela se torna a primeira mulher, a primeira democrata desde 1997 e a primeira prefeita não hispânica em décadas a comandar Miami, cidade com cerca de 487 mil habitantes. Apesar do impacto simbólico e político, especialistas alertam que extrapolar tendências nacionais a partir de eleições municipais pode ser arriscado. Isso porque o condado já havia eleito uma prefeita democrata não hispânica — Daniella Levine Cava — mesmo em um ciclo eleitoral em que Trump venceu na região.

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