O governo do presidente Donald Trump deu um ultimato à Anthropic para liberar sua tecnologia de inteligência artificial para uso irrestrito pelo Exército dos Estados Unidos. Segundo a Associated Press, o secretário de Guerra, Pete Hegseth, estabeleceu prazo até essa sexta-feira (27) e indicou que, em caso de recusa, a empresa poderá ter contratos rompidos e ser classificada como “risco da cadeia de suprimentos”. A medida pode incluir restrições amplas e até a invocação da Lei de Produção de Defesa, que concede poderes emergenciais ao presidente para intervir na indústria em nome da segurança nacional.
A Anthropic é responsável pelo Claude, sistema de IA com foco em segurança, e foi a primeira empresa do setor autorizada a operar em redes militares classificadas dos EUA. A companhia, no entanto, mantém restrições contratuais que proíbem o uso da tecnologia para fins de violência, incluindo operações militares totalmente autônomas e vigilância doméstica em larga escala. O CEO Dario Amodei já manifestou publicamente preocupações éticas sobre aplicações militares irrestritas da IA, citando riscos associados a drones armados autônomos e monitoramento massivo da população.
O impasse ocorre em meio à expansão dos contratos do Pentágono com empresas de IA, incluindo OpenAI, Google e xAI. Autoridades do Departamento de Defesa defendem que as ferramentas devem estar disponíveis para todas as aplicações legais autorizadas pelos militares, enquanto especialistas apontam que o caso evidencia o debate crescente sobre o papel da inteligência artificial na segurança nacional e os limites éticos de seu uso em contextos militares e de vigilância governamental.