A coletiva da Casa Branca nesta terça-feira marcou um novo momento de tensão diplomática entre Estados Unidos e Brasil. A porta-voz Karoline Leavitt afirmou que o governo do presidente Donald Trump não descarta o uso de meios econômicos ou até militares para proteger a liberdade de expressão no mundo, em referência a uma possível condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. A fala foi uma resposta a uma pergunta sobre o julgamento em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF), que pode levar Bolsonaro e aliados a penas severas. O posicionamento reflete a linha dura de Washington em relação ao processo e reforça a postura crítica da gestão Trump diante do atual governo brasileiro.
As declarações também destacam a proximidade entre Trump e Bolsonaro, que mantiveram uma relação de amizade e alinhamento político durante seus respectivos mandatos. Ambos compartilham pautas conservadoras e uma visão crítica às instituições que, em sua percepção, limitam a liberdade de expressão. Esse histórico de parceria ajuda a explicar o tom de defesa adotado pelos Estados Unidos, que não apenas reconhecem Bolsonaro como um aliado, mas também projetam sua causa como parte de uma batalha ideológica mais ampla. Para Trump, apoiar Bolsonaro é reforçar a narrativa de resistência contra governos que considera alinhados à esquerda radical.
Em reação às falas, o Itamaraty divulgou nota oficial condenando qualquer ameaça externa e reafirmando a soberania brasileira. O comunicado reforçou que a defesa da democracia deve ser feita pelos próprios Poderes da República e rejeitou pressões internacionais como tentativa de interferência. A tensão revela os desafios atuais da relação bilateral: de um lado, Trump mantém sua postura de apoio a Bolsonaro e sua crítica às instituições brasileiras; de outro, o governo brasileiro busca preservar sua autonomia diante das pressões. Esse embate adiciona uma camada delicada à já complexa política regional, mostrando como a amizade entre Trump e Bolsonaro ainda reverbera no cenário internacional.