Os democratas Bill e Hillary Clinton anunciaram nesta terça-feira (13) que não irão cumprir a intimação do Congresso dos Estados Unidos para depor na investigação relacionada ao caso Jeffrey Epstein. O casal foi convocado pelo Comitê de Supervisão da Câmara, controlado por republicanos, e acusa o órgão de agir de forma seletiva para perseguir adversários políticos do presidente Donald Trump. Em carta divulgada nas redes sociais, os Clinton afirmam que a intimação é “legalmente inválida” e sustentam que o processo tem como objetivo intimidá-los e até resultar em sua prisão, em vez de esclarecer os fatos.
A recusa provocou reação imediata entre parlamentares republicanos, que se preparam para abrir processos por desacato ao Congresso, mecanismo legal que pode levar a multas e até um ano de prisão. O caso Epstein se tornou uma das principais crises do segundo mandato de Trump, com forte pressão pública pela divulgação completa dos arquivos envolvendo o financista acusado de crimes sexuais. Bill Clinton, assim como Trump, aparece em documentos e fotos associadas a Epstein, mas, segundo material já divulgado, não há evidências que o incriminem. O ex-presidente, inclusive, já havia pedido publicamente que todos os arquivos relacionados a ele fossem tornados públicos.
No pronunciamento, os Clinton ampliaram o tom político e acusaram o governo Trump de adotar práticas “sem precedentes” contra cidadãos americanos, citando deportações, perseguição a opositores e uso do Departamento de Justiça como arma política. Eles também criticaram o presidente do comitê, James Comer, por não pressionar o Departamento de Justiça a divulgar integralmente os documentos do caso Epstein, apesar de uma lei aprovada para esse fim. O casal afirmou que está disposto a se defender tanto juridicamente quanto no espaço público e declarou que este é o momento de enfrentar o que consideram um retrocesso democrático nos Estados Unidos.