O Snapchat e o Instagram, plataforma pertencente à Meta, começaram a enfrentar nesta quarta-feira (28), em Los Angeles, um julgamento envolvendo acusações de que suas redes sociais foram desenvolvidas para provocar dependência entre crianças e adolescentes, contribuindo para problemas de saúde mental. O processo representa a primeira vez que a Snap, empresa responsável pelo Snapchat, terá que se defender diante de um júri em um caso relacionado ao suposto caráter viciante de sua plataforma. A ação faz parte de uma série de disputas judiciais que vêm se acumulando nos Estados Unidos nos últimos anos, com milhares de processos apresentados em tribunais locais, estaduais e federais contra empresas de tecnologia. As denúncias questionam o impacto do funcionamento dessas redes sociais sobre o comportamento de usuários mais jovens e apontam possíveis consequências para seu bem-estar psicológico. Os autores das ações alegam que determinados recursos das plataformas foram planejados para incentivar o uso frequente e prolongado dos aplicativos, criando padrões de consumo digital que poderiam favorecer a dependência. O julgamento deverá analisar essas acusações e a possível responsabilidade das empresas pelos danos relatados, em um processo que pode ter consequências para outras disputas semelhantes em andamento no país.
A seleção dos jurados teve início nesta quarta-feira (28), enquanto as audiências estão previstas para começar após essa etapa e se estender até meados de dezembro. De acordo com o cronograma divulgado, o procedimento de escolha do júri poderá continuar até 4 de novembro, antes do início da apresentação dos argumentos, depoimentos e demais elementos do processo. Entre as testemunhas esperadas estão alguns dos principais executivos do setor de tecnologia, incluindo Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta, Evan Spiegel, cofundador e presidente-executivo da Snap, e Adam Mosseri, responsável pelo Instagram. Segundo os advogados dos autores da ação, os três devem prestar depoimento em meados de novembro, quando poderão ser questionados sobre o funcionamento das plataformas, suas decisões de desenvolvimento e os possíveis efeitos dos recursos oferecidos aos usuários mais jovens. Apesar do início do julgamento, as empresas ainda poderão negociar um acordo com os autores antes que o júri apresente um veredicto.
O centro da disputa está na alegação de que o Instagram e o Snapchat teriam sido projetados para estimular comportamentos de uso compulsivo, especialmente entre crianças e adolescentes, com possíveis consequências para a saúde mental. Os responsáveis pelas ações judiciais associam o funcionamento dessas plataformas a problemas como depressão, ansiedade, transtornos alimentares e episódios de automutilação, argumentando que os mecanismos utilizados para manter os usuários conectados poderiam contribuir para o desenvolvimento ou agravamento dessas condições. Essas relações, entretanto, fazem parte das acusações apresentadas pelos autores e ainda precisam ser avaliadas no processo, incluindo a existência de provas sobre os danos alegados e a responsabilidade das empresas.