O senador Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos na manhã desta quarta-feira (28), acompanhado da esposa e das duas filhas. A família desembarcou às 10h24 no Aeroporto Executivo de Opa-locka, em Miami, na Flórida, após viajar em um jatinho particular Gulfstream G400. A chegada ocorreu três dias depois da eleição de domingo (25), na qual Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio. Ao deixar a aeronave, o senador e seus familiares foram escoltados por um policial, que cumprimentou Flávio, e seguiram para um veículo que os aguardava na saída do aeroporto. Até a última atualização da reportagem, não havia informações sobre o proprietário do avião, o destino final da família ou por quanto tempo o senador pretende permanecer em território norte-americano. Seu irmão, Eduardo Bolsonaro, vive na Flórida desde fevereiro de 2025. Na terça-feira (27), o Departamento de Estado dos Estados Unidos informou que permitiria a entrada de Flávio, sua esposa e suas filhas, além de conceder vistos aos quatro, embora não tenha especificado a categoria dos documentos. O senador ainda não havia se manifestado publicamente desde que deixou o Brasil.
A viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos ocorreu por uma rota que passou pela Argentina e pelo Equador, evitando completamente o espaço aéreo brasileiro. Segundo informações confirmadas pela Direção Nacional de Migrações da Argentina, o senador e sua família entraram no país por terra às 22h50 de terça-feira (27), pelo horário de Brasília, utilizando a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, à região de Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones. As autoridades argentinas informaram que os quatro apresentaram documentos válidos e não possuíam impedimentos legais para ingressar no território argentino. Depois de atravessar a fronteira, a família seguiu para Puerto Iguazú, onde embarcou no avião particular de matrícula LV-JQW, que realizou uma escala em Guayaquil, no Equador, antes de continuar até Miami. Dados da plataforma de monitoramento aéreo FlightAware indicaram que a aeronave sobrevoou o Paraguai, a Bolívia e o Peru, sem passar pelo espaço aéreo do Brasil. A confirmação oficial do trajeto ocorreu após um dia de informações desencontradas sobre a saída do senador, inicialmente divulgada pelo portal argentino Infobae e posteriormente acompanhada por veículos internacionais. Durante a viagem, o presidente Donald Trump, afirmou que aprovava a ida de Flávio ao país e voltou a levantar suspeitas de fraude na eleição brasileira.
A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil ocorreu apesar de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia proibido o senador de deixar o país e ordenado a entrega de seus passaportes à Polícia Federal. A decisão foi publicada na noite de domingo (25), após o segundo turno das eleições, e estabeleceu prazo até as 11h de terça-feira (27) para que os documentos fossem apresentados. A medida judicial foi adotada após a Polícia Federal apontar riscos considerados concretos e atuais de fuga, mencionando declarações públicas de Eduardo Bolsonaro, que havia aconselhado o irmão a deixar o Brasil em caso de derrota eleitoral, além da capacidade financeira do senador e da existência de estruturas no exterior que poderiam facilitar uma permanência prolongada. A ordem também abrangia o passaporte italiano de Flávio, concedido em 2023, e determinava o cancelamento dos documentos brasileiros, incluindo os diplomáticos. O caso está relacionado a uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz, em um suposto esquema ligado a empresas e plataformas de apostas esportivas. Ambos confirmam que são amigos, mas negam qualquer sociedade ou irregularidade. Flávio também é investigado em outro inquérito sobre possíveis crimes relacionados ao financiamento do filme Dark Horse, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.