O iPod, um dos produtos mais importantes da história da Apple, completa 25 anos nesta sexta-feira (23), marcando um quarto de século desde sua apresentação oficial por Steve Jobs, em 2001. Na época, a empresa prometia colocar “1.000 músicas no seu bolso”, oferecendo uma alternativa aos aparelhos portáteis de música disponíveis no mercado. O primeiro modelo contava com uma tela LCD monocromática, disco rígido de 5 GB e uma roda de navegação conhecida como scroll wheel, que permitia percorrer listas de músicas de maneira rápida e intuitiva. Com aproximadamente 10 centímetros de altura, 6 centímetros de largura e menos de 2 centímetros de espessura, o dispositivo foi comparado por Jobs a um baralho de cartas. Outra característica importante era a conexão FireWire, que possibilitava transferir grandes bibliotecas musicais em menos tempo do que os reprodutores USB convencionais, além de permitir que o aparelho funcionasse como um disco rígido externo. Lançado por US$ 399, o iPod chegou acompanhado de um CD de instalação do iTunes 2 e inicialmente funcionava apenas com computadores Mac. Apesar das críticas ao preço e à compatibilidade limitada, o aparelho conquistou espaço no mercado e ajudou a transformar a maneira como as pessoas compravam, organizavam e ouviam música digital.
Ao longo dos anos, o iPod passou por diversas transformações e se tornou um dos principais símbolos da Apple, contribuindo para o crescimento da empresa antes da chegada do iPhone e do iPad. A segunda geração, apresentada em 2002, ampliou a compatibilidade para computadores com Windows, enquanto as gerações seguintes introduziram o conector de 30 pinos, posteriormente utilizado também nos primeiros smartphones e tablets da companhia. A evolução incluiu modelos com telas coloridas, como o iPod photo, e a quinta geração, que passou a reproduzir vídeos com suporte ao formato H.264. Em 2007, a Apple apresentou a sexta geração, primeira a receber oficialmente o nome iPod classic, enquanto uma revisão lançada em 2009 trouxe um corpo mais fino e maior capacidade de armazenamento. A linha também foi ampliada com versões voltadas a diferentes públicos, incluindo o iPod mini, lançado em 2004, e os modelos shuffle e nano, apresentados em 2005. Entretanto, a popularização dos smartphones, especialmente do próprio iPhone, reduziu gradualmente a necessidade de aparelhos dedicados exclusivamente à reprodução de músicas. A Apple encerrou a produção do iPod classic em setembro de 2014 e manteve a família ativa até maio de 2022, quando anunciou a descontinuação do iPod touch, último modelo ainda comercializado.
Mesmo fora do catálogo oficial da fabricante, o iPod continua despertando interesse no mercado de produtos usados, impulsionado pela nostalgia e pela busca de alternativas aos serviços de streaming por assinatura. Segundo dados divulgados pelo eBay, alguém pesquisa pelo termo “iPod” na plataforma a cada dois segundos em algum lugar do mundo, indicando que o aparelho ainda mantém uma presença significativa entre consumidores e colecionadores. O levantamento também aponta que 76% dos consumidores entrevistados compraram algum produto de segunda mão durante o último ano, demonstrando o crescimento desse tipo de comércio. No Reino Unido, os preços médios registrados na plataforma são de aproximadamente 45 libras para um iPod classic, 30 libras para um iPod touch e 20 libras para um iPod nano, embora os valores possam variar conforme o modelo e seu estado de conservação. Parte desse interesse está relacionada à possibilidade de armazenar arquivos musicais diretamente no aparelho, sem depender continuamente de serviços como Apple Music e Spotify. O aumento dos preços das assinaturas, a presença de anúncios e recomendações automatizadas e a possibilidade de músicas desaparecerem dos catálogos digitais também são apontados como fatores que ajudam a explicar a procura por dispositivos antigos. Embora os smartphones tenham substituído os reprodutores dedicados para grande parte do público, o mercado de segunda mão mostra que o iPod continua atraindo consumidores 25 anos depois de sua estreia, tanto pelo valor histórico quanto pela experiência de ouvir músicas armazenadas localmente, sem depender de uma assinatura mensal.