Prefeita de Kissimmee é presa na Flórida suspeita de fraude com dinheiro público

Por Márcio Jandrey, Portal América.

A prefeita de Kissimmee, na Flórida, Jackie Espinosa, de 58 anos, foi presa na manhã desta quarta-feira (21), acusada de furto de grande valor e participação em um esquema organizado de fraude envolvendo recursos públicos destinados a pequenas empresas durante a pandemia de Covid-19. A prisão foi anunciada pelo procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, após uma investigação conduzida pelo Departamento de Aplicação da Lei da Flórida (FDLE). Segundo as autoridades, Espinosa teria utilizado sua posição na prefeitura para facilitar a liberação de aproximadamente US$ 50 mil em subsídios para três empresas ligadas a ela e ao marido, mesmo depois de funcionários municipais alertarem sobre possíveis irregularidades. Outros US$ 40 mil teriam sido destinados indevidamente a quatro empresas que alugavam imóveis pertencentes à prefeita, elevando para US$ 90 mil o valor total questionado na investigação. Espinosa foi encaminhada à cadeia do Condado de Osceola, onde permaneceu detida sem direito a fiança até sua primeira audiência judicial, marcada para quinta-feira (22). As acusações incluem um crime de primeiro grau e outro de segundo grau, que podem resultar em uma pena de até 30 anos de prisão em caso de condenação. A prefeita apresentou uma declaração formal de inocência e nega ter cometido qualquer crime.

De acordo com um relatório de 26 páginas divulgado pelas autoridades estaduais, Espinosa teria promovido alterações no programa municipal Business Boost 2.0, financiado com recursos federais de recuperação econômica da pandemia, para facilitar o acesso de empresas ligadas à sua família aos benefícios. O programa oferecia subsídios não reembolsáveis de US$ 5 mil a US$ 20 mil para pequenos negócios de Kissimmee. Entre as empresas beneficiadas está a Adanse LLC, registrada integralmente em nome da prefeita, que recebeu US$ 20 mil. Outras duas companhias vinculadas ao marido, Jorge Espinosa, também receberam recursos: a Kissimmee Diner Inc., responsável pelo restaurante Matador Tacos & Tapas, obteve US$ 15 mil, enquanto a The Real Estate Gallery LLC recebeu outros US$ 15 mil. Os investigadores afirmam que Espinosa participou da reformulação do programa após assumir o cargo, em 2024, e que quase US$ 1 milhão originalmente previsto para melhorias em um centro comunitário foi redirecionado para a iniciativa. Funcionários municipais teriam questionado os pedidos de subsídios em setembro de 2025, mas os pagamentos foram realizados. A investigação criminal começou em 16 de junho, após uma auditoria do Departamento de Serviços Financeiros da Flórida identificar possíveis irregularidades. Em agosto, a Comissão de Ética estadual já havia encontrado indícios suficientes de infrações relacionadas aos benefícios, enquanto uma tentativa de afastamento da prefeita pela comissão municipal terminou empatada em dois votos a dois. Durante entrevista coletiva, Uthmeier acusou Espinosa de utilizar o cargo para benefício próprio, mas a defesa afirmou que o programa havia sido aprovado publicamente e administrado por funcionários municipais, sustentando que não houve intenção criminosa e que as acusações serão contestadas na Justiça.

Após a prisão, a Prefeitura de Kissimmee anunciou a abertura de uma investigação interna para examinar a criação, a administração e a fiscalização do programa Business Boost 2.0, incluindo a análise dos procedimentos utilizados para aprovar os pagamentos e verificar se as normas municipais foram cumpridas. O administrador municipal Mike Steigerwald autorizou a apuração, enquanto a vice-prefeita Angela Eady assumirá as funções de representação e participação nas reuniões da comissão municipal durante a ausência de Espinosa. Segundo a prefeitura, a legislação local não determina o afastamento automático de um prefeito após uma prisão, permitindo que o ocupante permaneça formalmente no cargo até que ocorra uma suspensão, destituição ou renúncia. A administração municipal também informou que os serviços públicos continuarão funcionando normalmente, sob a coordenação do administrador da cidade, responsável pelas operações diárias e por mais de 900 funcionários. A acusação será conduzida pelo Escritório de Promotoria Estadual da Flórida, enquanto a defesa insiste na presunção de inocência e afirma que uma possível violação de regras éticas não constitui, por si só, prova de crime.

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