EUA receberam vários alertas de Israel sobre possíveis planos do Irã para matar Trump

Por Márcio Jandrey, Portal América.

Os Estados Unidos receberam, ao longo do último ano, uma série de alertas de Israel sobre possíveis planos do Irã para assassinar o presidente Donald Trump. Segundo autoridades ouvidas pela Reuters, as informações compartilhadas pela inteligência israelense apontavam diferentes possibilidades de ataque, incluindo um eventual disparo realizado por um atirador de elite e a tentativa de recrutar uma pessoa para atacar o presidente com uma faca durante um grande evento público. Os primeiros avisos começaram a ser enviados na véspera da guerra de 12 dias, em junho de 2025, e foram reforçados nos meses seguintes, especialmente diante do aumento das tensões entre Washington e Teerã. As informações passaram a ser tratadas pelas autoridades norte-americanas como parte de um cenário mais amplo de ameaças contra Trump.

Um dos alertas considerados mais detalhados foi transmitido antes da cúpula da OTAN realizada em Ancara, na Turquia, em julho. Na ocasião, autoridades israelenses informaram à Casa Branca que dados de inteligência indicavam que o Irã poderia tentar matar Trump durante seu deslocamento no Air Force One, inclusive por meio de um possível míssil lançado do ombro. A inteligência dos Estados Unidos, entretanto, não conseguiu confirmar a existência dessa ameaça específica, e autoridades turcas também afirmaram que seus próprios serviços de inteligência não haviam encontrado evidências que sustentassem a informação. Apesar da falta de confirmação independente, a Casa Branca e o Serviço Secreto adotaram medidas adicionais de segurança por precaução. Trump acabou sendo retirado secretamente da Turquia em outra aeronave, em uma operação que buscou reduzir os riscos relacionados à possível ameaça.

A sequência de alertas também expôs diferenças entre as avaliações das agências de inteligência dos Estados Unidos e de Israel sobre as intenções do governo iraniano. A comunidade de inteligência norte-americana considera há anos que o Irã pretende retaliar pela morte do comandante militar Qassem Soleimani, ordenada por Trump em 2020, mas a CIA não conseguiu confirmar algumas das ameaças específicas apresentadas pela inteligência israelense desde o início de 2025. Mesmo assim, as informações fornecidas por Israel tiveram peso nas decisões do governo Trump em relação a Teerã, em um período de forte escalada militar e diplomática. O governo israelense rejeitou a acusação de que esteja utilizando informações de inteligência para influenciar a política dos Estados Unidos, enquanto a Casa Branca e a CIA não comentaram os relatos. O Serviço Secreto, por sua vez, afirmou que mantém uma avaliação contínua de diferentes fontes de informação para orientar as medidas de proteção ao presidente diante das ameaças existentes.

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